Entre os citados estão o ex-presidente do instituto, Alessandro Stefanuto, o Careca do INSS e o empresário Maurício Camisotti
O pedido se insere no inquérito conduzido pela Polícia Federal que apura o caso, considerado o principal desdobramento da chamada operação Sem Desconto.
Segundo as investigações, o esquema envolvia descontos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas, realizados por entidades associativas com acordos de cooperação técnica firmados com o INSS. O prejuízo estimado ultrapassa R$ 7 bilhões de 2015 a 2025, com mais de 10 milhões de beneficiários afetados.
O requerimento que embasou a ação foi aprovado por unanimidade pela CPMI em setembro de 2025. Entre os fundamentos apresentados estão a existência de indícios de materialidade e autoria dos crimes, além de riscos à ordem pública e à instrução processual, como possibilidade de coação de testemunhas, ocultação de provas e fuga de investigados para o exterior.
As conclusões se baseiam em dados da PF (Polícia Federal), da CGU (Controladoria Geral da União), do TCU (Tribunal de Contas da União) e em depoimentos colhidos pela comissão.
Leia a lista dos 21 investigados
André Paulo Félix Fidelis — ex-diretor de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão (DIRBEN) do INSS; crimes: corrupção passiva, inserção de dados falsos em sistema de informações, organização criminosa e lavagem de dinheiro;
Eric Douglas Martins Fidelis: advogado e intermediário financeiro. Crimes: organização criminosa e lavagem de dinheiro;
Cecília Rodrigues Mota: operadora financeira. Ex-presidente da Associação De Catadores E Catadoras De Materiais Recicláveis Da Região Centro Norte De Palmas. Crimes: organização criminosa e lavagem de dinheiro;
Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho: ex-procurador-geral da PFE-INSS. Crimes: corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro;
Thaisa Hoffmann Jonasson: sócia de consultoria da Curitiba Consultoria. Crimes: organização criminosa e lavagem de dinheiro;
Maria Paula Xavier da Fonseca Oliveira: empresária e proprietária da Xavier Fonseca Consultoria. Crimes: organização criminosa e lavagem de dinheiro;
Alexandre Guimarães: ex-diretor de Governança, Planejamento e Inovação do INSS, sócio da Venus Consultoria. Crimes: corrupção passiva e organização criminosa;
Antônio Carlos Camilo Antunes (Careca do INSS): operador financeiro central do esquema. Crimes: organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa;
Alessandro Antônio Stefanutto: ex-presidente do INSS. Assinou ofício que liberou benefícios indevidos. Crimes: corrupção passiva, inserção de dados falsos e organização criminosa;
Geovani Batista Spiecker: ex-diretor de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão do INSS. Enviou dados irregulares à Dataprev. Crimes: inserção de dados falsos, violação de sigilo funcional e organização criminosa;
Reinaldo Carlos Barroso de Almeida: funcionário do INSS. Crimes: inserção de dados falsos e organização criminosa;
Vanderlei Barbosa dos Santos: ex-diretor de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão do INSS. Teria incluído vários dados de beneficiários com inconsistências. Crimes: inserção de dados falsos e organização criminosa;
Jucimar Fonseca da Silva: funcionário do INSS. Crimes: inserção de dados falsos e organização criminosa;
Rubens Oliveira Costa: sócio de empresas ligadas ao esquema; parceiro de operadores. Crimes: organização criminosa e lavagem de dinheiro;
Romeu Carvalho Antunes: sócio de empresas intermediárias. Ligado ao núcleo financeiro. Crimes: organização criminosa e lavagem de dinheiro;
Domingos Sávio de Castro: sócio de assessoria. Realizou transferências milionárias ao núcleo do esquema. Crimes: organização criminosa e lavagem de dinheiro;
Milton Salvador de Almeida Junior: sócio de empresas intermediárias. Crimes: organização criminosa e lavagem de dinheiro;
Adelino Rodrigues Junior: sócio de assessoria. Responsável por repasses ao núcleo do esquema. Crimes: organização criminosa e lavagem de dinheiro
Philipe Roters Coutinho: agente da Polícia Federal. Facilitou trânsito irregular em área restrita de aeroporto. Crimes: violação de sigilo funcional e organização criminosa;
Maurício Camisotti: empresário. Controlava associações ligadas ao esquema. Crimes: organização criminosa e lavagem de dinheiro;
Márcio Alaor de Araújo: ex-executivo do setor financeiro. Atuou na viabilização de fraudes em consignados. Crimes: organização criminosa e fraude.
Leia mais:
Relatório da CPI do INSS cita Shakespeare para criticar impunidade de poderosos
O relator da CPI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), recorreu ao dramaturgo inglês William Shakespeare para introduzir o relatório de 4.340 páginas que nesta sexta-feira, 27, pediu indiciamento de 216 pessoas pelo esquema de débito ilegal de aposentadorias. Ao citar a peça Rei Lear, do século XVII, Gaspar criticou a impunidade de poderosos: disse que vestes e becas encobrem tudo, enquanto roupas rasgadas mostram os pequenos defeitos.
“Pelas roupas rasgadas, os pequenos vícios aparecem; Vestes e becas tudo encobrem. Reveste o pecado de ouro, E a poderosa lança da justiça se quebra inofensiva; Envolve-o em trapos, e a palha de um pigmeu o atravessa”, diz um trecho da peça no documento.
Outro trecho traz um lamento do rei que escolheu duas filhas indignas para lhe suceder: “Oh, eu não dei a devida atenção a isso!”. Essa confissão, na visão do parlamentar, cabe ao Estado brasileiro por ter permitido a fraude bilionária no INSS.
Segundo o deputado, a “lucidez” da obra de Shakespeare retrata os atos investigados pela CPI, que “identificou investigados que habitavam os andares mais altos do poder econômico e político”. E completou: “A veste da função pública, o prestígio do mandato parlamentar, a sofisticação da estrutura societária internacional - tudo isso funcionou, por anos, como a armadura que fazia a lança da justiça se quebrar antes de alcançá-los”.
Relator pede indiciamento de Lulinha, Vorcaro e mais 214
Gaspar pediu o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha; do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master Master; do senador Weverton Rocha (PDT-MA); do deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG); da deputada Gorete Pereira (MDB-CE); e de mais 211 pessoas em seu parecer final (veja a lista com todos os nomes).
O pedido de indiciamento é a medida mais severa que uma CPI pode tomar ao fim do seu trabalho. Agora, a polícia decidirá se indicia os suspeitos e, em seguida, o Ministério Público pode denunciá-los à Justiça. Se a denúncia for aceita, um processo judicial é aberto contra o réu
Para o relator, o indiciamento do filho do presidente Lula “fundamenta-se nos elementos probatórios colhidos ao longo dos trabalhos desta CPMI, bem como nas informações constantes da decisão proferida pelo ministro André Mendonça, do STF”. Lulinha já afirmou anteriormente não ter envolvimento no esquema de fraudes no INSS.
Em relação ao senador Weverton Rocha, o relatório aponta que o parlamentar teve “atuação estratégica como liderança política e suporte institucional da organização criminosa”. Procurado, o senador disse que não há “qualquer elemento” que justifique a inclusão do nome dele no texto”, e que o indiciamento é “arma de baixíssimo calibre para atingir adversários”.
O deputado Euclydes Pettersen teve o pedido de indiciamento sob a alegação de que ele foi figura essencial no esquema de fraudes da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Rurais (Conafer) e um dos destinatários de propinas. Os crimes imputados a ele são de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e peculato.
Outra deputada, Gorete Pereira, foi incluída na lista. Gaspar aponta que ela foi “procuradora estratégica, articuladora política e integrante do núcleo de comando da organização criminosa responsável por fraudes previdenciárias no âmbito do INSS”. A parlamentar teve o pedido de indiciamento pelos crimes de organização criminosa, falsidade ideológica, falsidade ideológica, fraude eletrônica e furto eletrônico.
Outros dois apontados em investigação da Polícia Federal como principais operadores do esquema de descontos ilegais de aposentadorias tiveram pedido de indiciamento no relatório final da comissão. Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, inserção de dados falsos em sistema de informática, fraude eletrônica e furto eletrônico.
Já o empresário Maurício Camisotti teve pedido de indiciamento pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, falsidade ideológica, inserção de dados falsos em sistema de informática, fraude eletrônica e furto eletrônico.

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