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Ataques israelenses minutos antes de cessar-fogo entrar em vigor deixaram 13 mortos no sul do Líbano

 Cidade de Tiro registrou 35 feridos e cerca de 15 desaparecidos; bombardeiros atingiram seis prédios residenciais



Ao menos 13 pessoas morreram em bombardeios israelenses na cidade libanesa de Tiro, poucos minutos antes da entrada em vigor de um cessar-fogo na última quinta-feira, 16, segundo informou um funcionário local à AFP.

De acordo com a fonte, outras 35 pessoas ficaram feridas e equipes de resgate seguem vasculhando os escombros em busca de cerca de 15 desaparecidos. Os ataques atingiram seis edifícios residenciais, que foram destruídos, segundo um correspondente da agência. A ação ocorreu na reta final da entrada em vigor do cessar-fogo anunciado na região.

Horas depois, o Exército do Líbano chegou a acusar Israel de realizar “atos de agressão” e de bombardear o país em violação à trégua. Ao mesmo tempo, o grupo libanês disse ter atacado tropas israelenses em resposta às ações.

O Hezbollah afirmou nesta sexta-feira que mantém “alerta máximo” diante da possibilidade de Israel violar o acordo. /AFP

Entenda por que cessar-fogo no Líbano pode ajudar no acordo entre EUA e Irã




O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre um cessar-fogo de dez dias entre Israel e o Líbano pode representar um passo importante para o avanço de um acordo de paz com o Irã.

Após o anúncio da trégua de duas semanas entre o Irã e os EUA, em 7 de abril, Israel manteve sua campanha de bombardeios contra grupos apoiados pelo Irã no Líbano, uma ação que Teerã argumentou ser uma violação do cessar-fogo e uma ameaça à frágil trégua com Washington.

Os Estados Unidos e Israel insistiram que o Líbano nunca fez parte do cessar-fogo com o Irã, alegando que houve um "mal-entendido".


Mas, nos bastidores, autoridades do governo Trump vinham trabalhando para que Israel recuasse em sua ofensiva, preocupadas com a possibilidade de que ela pudesse prejudicar seus esforços de paz com o Irã.

O próprio presidente americano pressionou para que os dois lados conversassem, publicando na noite de quarta-feira (15): "Tentando criar um pouco de espaço entre Israel e o Líbano. Faz muito tempo que os dois líderes não conversam."

Após anunciar o cessar-fogo, Trump disse ter convidado o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente libanês, Joseph Aoun, à Casa Branca para negociações de paz, o que marcaria a primeira vez em décadas que os líderes dos dois países conversariam diretamente.

Cessar-fogo com Israel é porta de entrada para negociações, diz presidente libanês





O presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou que as negociações diretas são “cruciais” para consolidar o cessar-fogo entre Israel e o grupo militante Hezbollah, apoiado pelo Irã e com forte presença no sul libanês, que entrou em vigor nesta sexta-feira, 17. De acordo com o mandatário, a oportunidade “não deve ser desperdiçada”, e Beirute está trabalhando junto a Tel Aviv para garantir a retirada das forças israelenses do país.

“Negociações diretas são cruciais, e um cessar-fogo é a porta de entrada para prosseguir com as negociações”, declarou Aoun a um grupo de parlamentares libaneses nesta sexta.

Segundo o mandatário libanês, o objetivo atual de Beirute é garantir que a trégua de dez dias entre o Hezbollah e Israel seja cumprida. Além disso, ele afirmou que as Forças Armadas do país irão conduzir operações na região sul, considerada um reduto do grupo armado e principal alvo das bombas israelenses, buscando garantir que os moradores anteriormente deslocados pelo conflito possam voltar às suas casas de forma tranquila.

Outro ponto destacado pelo presidente diz respeito à manutenção das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) dentro do território libanês. Aoun apontou que o Exército coordenará a saída dos soldados estrangeiros, e que não haverá militares no país “além das nossas forças de segurança legítimas”.

A declaração do presidente foi uma resposta direta a comentários anteriores feitos pelo ministro da Defesa israelense, Israel Katz, que anunciou que as IDF manteriam suas posições no sul libanês, mesmo em meio ao cessar-fogo. Katz já havia feito outras declarações com o mesmo teor, defendendo que Tel Aviv capture de vez o território que invadiu caso Beirute não seja capaz de impedir ataques do Hezbollah.

As hostilidades entre Israel e Hezbollah tiveram início em março, quando o grupo libanês lançou foguetes contra o norte israelense em retaliação à morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei. Em resposta, Tel Aviv promoveu uma série de bombardeios e invadiu o sul do Líbano, em um confronto que se estendeu, incessante, até a noite de quinta-feira.

Por enquanto, a trégua firmada por ambas as partes é instável. Treze pessoas morreram na cidade de Tiro minutos antes do cessar-fogo entrar em vigor, atingidas por um bombardeio israelense. Segundo a AFP, o incidente também deixou outras 35 pessoas feridas e mais 15 desaparecidas. Em resposta, as forças armadas do Líbano acusaram Tel Aviv de violar o acordo.

Aoun e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, podem visitar a Casa Branca para uma reunião conjunta com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “nos próximos dias”, de acordo com anúncio do mandatário americano, para dar continuidade às negociações que começaram na terça-feira, 14, com o encontro dos embaixadores dos dois países em Washington. No entanto, o confronto é, na prática, travado entre o Exército israelense e o Hezbollah, sem participação das forças armadas do Líbano, mas foi completamente escanteado das conversas.






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