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EUA e Irã dão informações divergentes sobre operação de resgate de piloto americano

 Trump assegurou que oficial foi resgatado ‘são e salvo’, enquanto Irã diz que a operação dos EUA fracassou


Os Estados Unidos e o Irã apresentaram, neste domingo (5), versões divergentes sobre o resgate de um aviador do caça americano abatido na última sexta-feira. Enquanto o exército do Irã afirmou que a operação dos EUA “fracassou completamente”, o presidente americano Donald Trump assegurou que o oficial foi resgatado “são e salvo”.




De acordo com a agência de notícias AP, a própria CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) lançou uma campanha de desinformação sobre o resgate para conseguir retirar o americano do Irã.


O porta-voz do comando militar central iraniano, Ebrahim Zolfaghari, declarou que “a suposta operação de resgate do Exército dos Estados Unidos, planejada como uma missão de engano e fuga em um aeroporto abandonado no sul de Isfahan, sob o pretexto de recuperar o piloto de um avião abatido, foi completamente frustrada.”


Em uma mensagem em vídeo divulgada pela televisão estatal, ele afirmou que “dois aviões de transporte militar C-130 e dois helicópteros Black Hawk foram destruídos” durante a operação. Acrescentou que Trump continua com sua “retórica vazia e distração, embora a realidade no terreno demonstre a posição superior das poderosas forças armadas do Irã”.


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A mídia estatal divulgou imagens de destroços carbonizados espalhados em uma área desértica, de onde ainda saía fumaça. A agência de notícias Tasnim informou, por sua vez, que os ataques realizados durante a operação de resgate causaram cinco mortos no sudoeste do Irã.


O caça-bombardeiro F-15E havia caído no sudoeste do Irã na sexta-feira, e seus dois ocupantes haviam se ejetado em pleno voo.


A versão dos Estados Unidos, por sua vez, é a de que o resgate foi bem-sucedido. Trump escreveu, em sua plataforma Truth Social que “esta é a primeira vez na memória militar que dois pilotos americanos foram resgatados, separadamente, em território inimigo profundo”.


Segundo reportagem da AP, os dois pilotos foram resgatados em momentos diferentes, e a CIA tentou despistar o governo iraniano antes de o segundo tripulante ser encontrado. Para isso, a agência de inteligência americana espalhou a informação falsa de que esse americano já havia sido resgatado antes mesmo de ele ser localizado.


A agência de notícias diz que os socorristas enfrentaram grandes obstáculos, incluindo dois helicópteros Black Hawk sob fogo e problemas com dois aviões de transporte que forçaram os militares dos EUA a destruí-los.


Uma pessoa familiarizada com a situação disse à AP, sob condição de anonimato, que os dois helicópteros conseguiram alcançar espaço aéreo seguro, embora não esteja claro se pousaram ou se houve feridos entre os tripulantes.


A televisão estatal do Irã, no entanto, exibiu neste domingo um vídeo mostrando o que alegou serem partes de uma aeronave americana abatida pelas forças iranianas, além de uma imagem de uma espessa fumaça negra se elevando. A emissora afirmou que o Irã derrubou as aeronaves que faziam parte da operação de resgate.


Veja o que se sabe sobre o resgate do tripulante de caça americano abatido no Irã


Após manobra que o ejetou, oficial de sistemas de armas da aeronave se separou do piloto, encontrado 6 horas depois

Militar subiu montanha de 2.100 metros e se escondeu em fenda, segundo autoridades que falaram sob anonimato


Os dois tripulantes do caça dos Estados Unidos abatido pelo Irã se ejetaram apenas segundos antes de a aeronave ser atingida. O F-15E Strike Eagle, o primeiro caça perdido por fogo inimigo na guerra, caiu e se chocou violentamente com o solo.


Os oficiais da Força Aérea estavam em território hostil na manhã de sexta-feira (3), sozinhos e armados apenas com pistolas. O piloto da aeronave manteve "comunicação constante" com sua unidade e foi resgatado cerca de seis horas depois por uma força que incluía aviões de ataque e helicópteros que sofreram intenso fogo inimigo, disseram autoridades militares.


Mas o oficial de sistemas de armas da aeronave, um dos tripulantes, continuava desaparecido. No caos da manobra que o ejetou —um movimento violento que salvou sua vida— ele se separou do piloto, desencadeando uma vasta operação de busca que se tornou o foco das tropas dos EUA e de agentes da CIA por dois dias.


Este relato do resgate e da sobrevivência do tripulante do caça foi baseado em entrevistas com cerca de uma dúzia de autoridades e ex-autoridades militares e do governo, que falaram sob condição de anonimato por discutir detalhes de uma operação sensível.


Aeronaves de vigilância e drones vasculharam a área próxima ao local da queda, mas não conseguiram encontrar o oficial nem sinais de que ele estivesse vivo, segundo uma autoridade militar com conhecimento sobre o resgate.


Os militares classificaram o tripulante com "status desconhecido", de acordo com a mesma autoridade.


Em solo iraniano, a missão se resumia a duas palavras: evasão e sobrevivência. Cercado por potenciais inimigos, o militar subiu uma montanha de cerca de 2.100 metros e se escondeu em uma fenda, onde esperava se manter seguro até ser encontrado pelas forças americanas.


Nesse momento, o Comando Central dos EUA preparava um comunicado informando que um avião havia caído e que o piloto havia sido resgatado.


Mas, justamente quando estavam prestes a divulgar a nota —cerca de 14 horas após o caça ter sido atingido— autoridades americanas conseguiram localizar o militar por meio de um sinalizador de luz que ele carregava. Pilotos e oficiais de sistemas de armas da Força Aérea são equipados com sinalizadores e dispositivos de comunicação seguros para usar em resgates. Mas são treinados para não transmitir sua localização constantemente, já que o sinal pode ser detectado pelo inimigo.


Os responsáveis pelo Comando Central cancelaram imediatamente a divulgação do comunicado. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, ligou para o presidente Donald Trump e disse que, enquanto houvesse chance de encontrar o militar, era necessário manter em segredo o resgate do piloto.


O Irã havia lançado várias operações de busca, uma das quais chegou à base da montanha onde o oficial estava escondido. Para os iranianos, esse coronel da Força Aérea americana era um trunfo valioso em possíveis negociações de alto risco com os EUA.


Para as Forças Armadas americanas, que seguem o lema de "não deixar ninguém para trás", encontrar um homem ferido era um imperativo.


Abalado pela manobra que o ejetou do caça, o oficial de sistemas de armas aguardava. Ele sabia que tanto as forças dos EUA quanto as do Irã estavam correndo para encontrá-lo.


Uma autoridade descreveu que os sinais emitidos pelo homem em solo iraniano eram intermitentes. A primeira tarefa das equipes de busca era garantir que a pessoa emitindo o sinal era de fato o americano e não alguém no Irã que tivesse encontrado seu equipamento.


Em sua base em Langley, na Virgínia, a CIA desenvolvia um plano de cobertura para ganhar tempo. A agência americana de inteligência espalhou a informação no Irã de que o aviador havia sido encontrado e estava sendo retirado do país em um comboio terrestre. A esperança era que os iranianos desviassem sua busca do local onde se acreditava que o aviador estava e passassem a focar as estradas que saíam da região.


A operação da CIA pareceu causar confusão entre as forças iranianas que buscavam o aviador, segundo um alto funcionário do governo com conhecimento do assunto.


Os iranianos, no entanto, intensificaram a busca, convocando a população por meio da principal emissora estatal a capturar o "piloto ou pilotos inimigos" e entregá-los vivos às forças de segurança em troca de recompensa.


Na manhã de sábado, Trump intensificou suas ameaças contra o Irã, prometendo destruir a infraestrutura elétrica do país caso seus líderes não abrissem o estreito de Hormuz. "O tempo está se esgotando: há 48 horas antes que o inferno caia sobre eles", escreveu o presidente nas redes sociais.


Naquele momento, autoridades militares dos EUA estavam na etapa final de preparação de uma vasta e complexa missão de resgate que envolvia cerca de cem integrantes das Forças de Operações Especiais, liderados pela equipe Seal 6, da Marinha, com comandos da Delta Force e Rangers do Exército de prontidão, se necessário. Uma força convencional maior, composta por helicópteros, aeronaves de vigilância, caças e aviões-tanque, estava pronta para dar apoio.


Uma autoridade americana afirmou que horas foram necessárias para obter a localização do tripulante e confirmar sua identidade. Os militares foram auxiliados pela CIA, que utilizou uma tecnologia especial exclusiva da agência para localizar o aviador escondido na fenda da montanha. Autoridades dos EUA e de Israel reuniram informações de inteligência para determinar se o aviador estava sozinho, cercado por iranianos ou já havia sido capturado.


Depois de determinarem que o aviador estava sozinho, altos oficiais militares aguardaram até o anoitecer para lançar a missão de resgate. Helicópteros de Operações Especiais avançaram rapidamente até o local remoto na montanha onde o especialista em sistemas de armas aguardava.


Um alto funcionário dos EUA descreveu a missão de resgate como uma das mais desafiadoras e complexas da história das operações especiais americanas. Os comandos tiveram que lidar com o terreno montanhoso, com as forças iranianas que, presumiam, faziam buscas e com o estado de saúde do militar, que permanecia incerto.


Enquanto os comandos aterrissavam, aviões de guerra dos EUA e de Israel lançaram bombas que produziram uma fumaça alaranjada capaz de iluminar a silhueta das montanhas ao redor. Os comandos dispararam suas armas intensamente para impedir qualquer avanço de forças iranianas na área.


No entanto, não houve confronto direto com forças inimigas. Autoridades dos EUA descreveram o território onde o aviador estava escondido como um local em que há forte oposição ao regime iraniano e disseram que não estava claro o quão perto as forças iranianas chegaram do local.


O americano resgatado foi rapidamente levado a um helicóptero que o transportou para uma pista de pouso improvisada e arenosa dentro do Irã, previamente preparada por forças de Operações Especiais para possíveis resgates.


O plano era embarcar imediatamente o militar resgatado e a equipe de busca em dois aviões C-130, que deveriam levá-los para fora de perigo até uma base aérea no Kuwait. Mas, em uma reviravolta final, o trem de pouso dianteiro de pelo menos uma —e possivelmente das duas— dessas aeronaves ficou preso na areia da pista, segundo autoridades militares.


Horas se passaram. As tentativas de liberar as rodas presas falharam, e então os comandos solicitaram três aeronaves substitutas.


Autoridades no Pentágono e no Comando Central aguardavam ansiosamente. O sucesso da missão perigosa, que parecia quase concluída, voltou subitamente a ser incerto.


Por fim, os comandos e o oficial ferido foram embarcados em três aeronaves substitutas. Após a saída da equipe de resgate, aviões de guerra americanos bombardearam as duas aeronaves danificadas para evitar que caíssem nas mãos iranianas.


Ao amanhecer, os três aviões decolaram em sequência da pista. A aeronave que transportava o aviador resgatado partiu primeiro, seguida pelas demais.


Quando a notícia chegou à Casa Branca de que as aeronaves haviam deixado o espaço aéreo iraniano, Trump anunciou o sucesso da missão.


"Nós o pegamos", afirmou Trump em uma postagem nas redes sociais poucos minutos após a meia-noite em Washington.


O oficial resgatado havia "sofrido ferimentos", escreveu Trump, mas ficaria "perfeitamente bem".


Segundo autoridades familiarizadas com a operação, as equipes de busca estavam seguras e não houve baixas americanas

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