O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi recebido nesta terça-feira (26/5), em Washington, capital dos Estados Unidos, pelo presidente Donald Trump.
O senador publicou uma foto do encontro no Instagram. Na imagem, Trump aparece sentado à mesa no Salão Oval da Casa Branca, enquanto Flávio está em pé ao lado do presidente americano.
O encontro ocorre no momento mais crítico da pré-campanha de Flávio à Presidência. Segundo o senador, ele esteve na Casa Branca por cerca de 1h40.
Pesquisas de intenção de voto registraram uma queda nos índices de Flávio após a revelação de que o senador pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para supostamente financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ).
Em coletiva de imprensa logo após o encontro com Trump, Flávio Bolsonaro afirmou ter sido recebido com "enorme cordialidade" pelo republicano.
"A primeira coisa que ele fez foi perguntar sobre meu pai. Perguntou sobre as condições da prisão, sobre como ele está, sobre como a família tem lidado com tudo isso. Foi um gesto humano", declarou.
O senador confirmou que abordou com o presidente americano a designação, pelos Estados Unidos, de organizações criminosas como PCC e Comando Vermelho como entidades terroristas.
"Enquanto Lula vai de joelhos, rastejando, para implorar ao presidente americano Trump que não declare organizações criminosas, como o PCC e o CV, como terroristas, eu faço o contrário", disse. "Fui exatamente fazer esse pedido expresso a ele."
Flávio vem defendendo essa tese, enquanto o governo Lula rebate afirmando que isso poderia ser usado para justificar eventuais ações militares americanas em território brasileiro. O senador também refutou esse argumento.
"Elas são, sim, organizações terroristas. Controlam territórios inteiros no Brasil pela força", disse.
"Combater o PCC e CV é interesse compartilhado entre os dois países. Eu disse ao presidente Trump que, a partir de janeiro de 2027, o Brasil vai integrar o Escudo das Américas", afirmou. "Formando uma grande aliança hemisférica contra o crime organizado internacional e o terrorismo."
Segundo o pré-candidato do PL, Trump disse que irá avaliar o pedido, mas não deu respostas.
Flávio também mencionou que as terras raras e os minerais críticos brasileiros foram tema do encontro. "Somos a única alternativa real à China para o mundo livre. Sob meu governo, haverá parceria estratégica de longo prazo nesse setor."
Também citou as tarifas e disse que, em um possível retorno do PL ao governo, não haveria necessidade de retaliação porque haveria "um acordo comercial bom para os dois países".
Flávio negou que o encontro com Trump seja uma cortina de fumaça para desviar o foco da revelação de sua relação com Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Também negou que sua campanha esteja em crise. "Toda campanha tem altos e baixos", disse.
O filho de Jair Bolsonaro (PL) afirmou ainda que o convite para a reunião partiu da própria Casa Branca.
Nos bastidores, assessores e parlamentares próximos ao senador afirmam que o convite foi feito após contatos intermediados pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos Estados Unidos desde o ano passado.
O senador também afirmou que não houve declaração de apoio do republicano à sua candidatura à Presidência. "Não poderia ter, como eu jamais pediria que isso acontecesse."
Em busca de um encontro com Trump
O voo de Flávio Bolsonaro, de nove horas entre São Paulo e Washington, chegou à capital americana às 6h da segunda-feira (25/5).
A expectativa é de que, além da reunião com Trump, Flávio tenha reunião com integrantes do segundo escalão do Departamento de Estado.
O secretário de Estado, Marco Rubio, não estará em Washington durante a passagem do senador brasileiro pela cidade. Rubio está na Índia, enquanto os Estados Unidos negociam um possível acordo com o Irã.
No comando da campanha de Flávio, o plano é que o encontro com Trump interrompa uma sequência de semanas negativas, desde a revelação da ligação do senador com Vorcaro.
As duas pesquisas de intenção de voto mais recentes, do Datafolha e da Atlas/Intel, mostram que ele registrou uma queda tanto nas simulações de primeiro turno quanto no segundo.
Antes do caso, Flávio aparecia numericamente a frente de Lula nos cenários de segundo turno, agora, ele aparece atrás. O agregador de pesquisas ibope também aponta essa tendência.

A relação Lula-Trump
Enquanto a comitiva de Flávio Bolsonaro se preparava para o encontro com Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que deve se candidatar à reeleição, adota cautela diante de um encontro cujo resultado pode ser imprevisível, segundo um alto oficial do governo.
Apesar da recente aproximação entre o petista e Trump, parte do governo Lula expressa desconfiança sobre se o governo americano vai manter sua neutralidade ao longo das eleições deste ano.
A avaliação de interlocutores do governo Lula é de que a ida de Flávio a Washington é uma tentativa da sua pré-campanha de mudar o foco das suspeitas sobre seu vínculo com Vorcaro e produzir alguma agenda positiva
A gafe de Flávio Bolsonaro após encontro com Donald Trump na Casa Branca
Senador e presidenciável do PL tirou uma foto com o americano em busca de agenda positiva após revelação de sua relação com Daniel Vorcaro
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cometeu uma gafe durante a entrevista que concedeu a jornalistas nesta terça-feira, 26, em Washington, após o encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Ao falar sobre a viagem, Flávio afirmou que o convite foi feito pelo presidente Lula. Após alguns segundos, o senador se corrigiu e disse que foi à Casa Branca após ser convidado por Trump.
“Mais uma vez, foi um convite oficial do presidente Lula, ele tava ali com dois assessores dele… do presidente Trump, desculpa, o presidente Trump estava com dois assessores dele”, salientou o senador.
Como foi o encontro?
Flávio Bolsonaro se encontrou nesta terça, 26, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington. Ele publicou uma foto da reunião nas redes sociais. O senador está no país desde o fim de semana. A campanha dele afirma que o convite para a capital norte-americana partiu do governo Trump, por meio do secretário de Estado, Marco Rubio. O encontro, que não constava na agenda oficial de Trump, teria sido articulado pelo deputado cassado Eduardo Bolsonaro, que o classificou como “muito bom”.

A fotografia se dá em um momento em que Flávio busca uma agenda positiva após a revelação da relação dele com o banqueiro Daniel Vorcaro. Áudios mostram que o senador pediu dinheiro ao ex-dono do Banco Master para financiar uma cinebiografia do pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A equipe do senador tentou agendar uma entrevista coletiva na Embaixada do Brasil nos Estados Unidos, mas não recebeu resposta. A campanha reclamou da atitude.
O que Flávio pediu a Trump?
No encontro com Donald Trump, Flávio Bolsonaro afirmou ter pedido ao presidente americano para que classifique as organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas.
“Enquanto o Lula vai de joelhos para implorar ao presidente americano Trump que não declare organizações criminosas como CV e PCC como terroristas, eu faço o contrário. Eu fiz exatamente esse pedido a ele para que ele declare CV e PCC como organizações terroristas, sim, que é o que eles são. Nós temos aí um em cada quatro brasileiros morando em áreas dominadas por facções criminosas que impõem suas próprias regras”, disse o presidenciável. Flávio Bolsonaro afirmou ainda em coletiva de imprensa que quer fazer acordos com outros países da América Latina, Europa, os Estados Unidos e até Israel para combater as principais facções brasileiras.
O governo americano analisa há mais de um ano se declara ou não organizações criminosas brasileiras como terroristas. No ano passado, a administração Trump classificou como terroristas, por exemplo, cartéis mexicanos e o Tren de Aragua, grupo criminoso originário da Venezuela, que atua no tráfico de drogas para cidades americanas — desde então, embarcações de traficantes que tentam levar entorpecentes para o país da América do Norte foram bombardeadas pelas forças de segurança dos Estados Unidos.
No começo deste mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se encontrou com Trump, mas não tratariam diretamente sobre PCC e CV. O petista disse que está disposto a criar um grupo de trabalho de combate às organizações criminosas que envolva diversos países do mundo. O chefe do Poder Executivo federal brasileiro também tratou com o governante americano sobre criminosos brasileiros que moram nos Estados Unidos. “Eu disse ao presidente Trump: ‘Se você quiser combater o crime organizado de verdade, você tem que entregar alguns nossos que estão morando em Miami’”, afirmou o petista.


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