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Tensão diplomática entre Iraque e Suécia cresce após nova manifestação contra Alcorão

 

Arábia Saudita e Irã convocaram representantes diplomáticos suecos; França e EUA condenaram o ataque à embaixada



O Iraque expulsou a embaixadora da Suécia, na quinta-feira (20), depois que um homem pisoteou uma cópia do Alcorão em Estocolmo, em uma manifestação autorizada pelo governo escandinavo, que provocou um incêndio em sua embaixada em Bagdá.

Salwan Momika, um refugiado iraquiano de 37 anos que vive na Suécia, pisou no livro sagrado do Islã durante o protesto desta quinta-feira (20), mas se absteve de queimá-lo, como fez em frente à maior mesquita de Estocolmo em 28 de junho, segundo um jornalista da AFP.


Em resposta à autorização concedida pelo país escandinavo, o primeiro-ministro iraquiano, Mohamed Shia al-Sudani, "ordenou à embaixadora sueca em Bagdá que deixe o território", segundo um comunicado de seu gabinete.

A decisão da polícia sueca, na quarta-feira (19), de autorizar a manifestação em Estocolmo gerou tensões diplomáticas entre os dois países e provocou o incêndio da embaixada sueca em Bagdá, ação organizada por seguidores do influente líder religioso Moqtada Sadr.

Os ânimos permaneceram tensos no centro da capital iraquiana, onde cerca de 200 manifestantes denunciaram a profanação do livro.

"Sim, sim ao Alcorão", entoavam, erguendo o texto sagrado ao lado de bandeiras iraquianas. Alguns deles queimaram bandeiras suecas, de acordo com um fotógrafo da AFP.


"É uma grande agressão contra dois bilhões de muçulmanos", disse Amjad al-Maliki, um homem de 46 anos.

Cerca de 20 manifestantes foram detidos, segundo uma fonte de segurança, e os serviços do primeiro-ministro informaram que foi decidido levá-los "à Justiça".

Não é a primeira vez que livros sagrados são queimados na Suécia e em outros países europeus, algumas vezes sob a iniciativa de movimentos de extrema direita.

Arábia Saudita e Irã

A Arábia Saudita e o Irã convocaram representantes das missões diplomáticas da Suécia em Riade e Teerã para questionar porque o governo escandinavo autorizou atos de profanação do Alcorão, informaram autoridades de ambos os países nesta sexta-feira(21).

O encarregado sueco receberá "uma nota de protesto para exigir, acima de tudo, que as autoridades suecas tomem medidas imediatas para pôr fim a esses atos vergonhosos", disse o Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita em um comunicado na noite de quinta-feira.

A República Islâmica do Irã convocou o embaixador sueco em Teerã na noite de quinta-feira e pediu a Estocolmo que não permita mais atos de profanação do Alcorão.

"Condenamos fortemente a profanação repetida do Alcorão Sagrado (...) na Suécia e responsabilizamos o governo sueco pelas consequências de provocar os sentimentos dos muçulmanos em todo o mundo", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Naser Kanani.

'Ato provocador'

França e Estados Unidos "condenaram" o ataque à embaixada, e Washington considerou "inaceitável que as forças de segurança iraquianas não tenham agido para impedir" a ação.

Por outro lado, expressando-se contra a profanação do Alcorão, a Organização para a Cooperação Islâmica (OCI) denunciou o que chamou de "novo ato provocador" e pediu a Estocolmo que deixasse de autorizar essas ações.

A Turquia, que durante muito tempo bloqueou a adesão da Suécia na Otan, condenou a "repugnante" profanação e pediu a Estocolmo que tomasse "medidas dissuasivas".

A unidade diplomática já havia sido atacada em junho, quando Salwan Momika queimou páginas do Alcorão em outra manifestação.



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