A briga alimentou as acusações dos críticos de Musk de que ele é rápido em concordar com as exigências de outros países, mesmo quando são adversários dos EUA.
"Espero que Elon Musk também possa pedir ao Partido Comunista da China que libere o X para uso do seu povo", escreveu Wu. "Talvez ele pense que proibi-lo seja uma boa política, como desligar a Starlink para impedir o contra-ataque da Ucrânia contra a Rússia."
A alegação sobre o Starlink – de que Musk "pediu secretamente aos seus engenheiros para desligarem a cobertura" para evitar um ataque ucraniano à frota naval russa na Crimeia – preocupou os aliados dos EUA.
O biógrafo Walter Isaacson afirmou, em um trecho de seu livro sobre Musk, que o dono do X desligou intencionalmente o sistema de comunicação Starlink, usado pelas tropas da Ucrânia, no momento que drones submarinos do país atacavam frotas da Rússia na região da Crimeia.
Mas em meio à forte resistência de Musk, Isaacson recuou em suas afirmações quando o livro chegou às prateleiras, escrevendo no X que a cobertura do Starlink na Crimeia sequer chegou a ser habilitada.
Nem Isaacson nem Musk responderam aos pedidos de comentários da BBC sobre o tema.
O livro de Isaacson, no entanto, afirma em outro trecho que, antes de Musk tomar a sua decisão, o embaixador da Rússia nos EUA "lhe disse explicitamente que um ataque ucraniano à Crimeia levaria a uma resposta nuclear".
E depois de ter tuitado uma proposta de paz no ano passado que levou uma autoridade ucraniana a questionar se ele havia "sido hackeado pelos russos", o cientista político Ian Bremmer afirmou que Musk tem mantido contato direto com o Kremlin.
"Elon Musk me disse que havia conversado diretamente com Putin e com o Kremlin sobre a Ucrânia. Ele também me disse quais eram os limites do Kremlin na guerra", escreveu ele no X.
Musk negou a afirmação, mas Bremmer a reiterou. "Há muito tempo admiro Musk como um empresário único e que muda o mundo, algo que já disse publicamente. Mas ele não é um especialista em geopolítica."
No mês seguinte, quando questionado se Musk representava uma ameaça à segurança nacional dos EUA, o presidente Biden respondeu que a sua "cooperação e/ou relações técnicas com outros países merecem ser analisadas".
Esta é a ponta do iceberg de uma relação complexa. Enquanto a Casa Branca tende a evitar mencionar a Tesla em seus pronunciamentos sobre a indústria de veículos elétricos, Musk trava discussões com alguns dos principais democratas americanos nas redes sociais, dizendo que ele "não pode mais apoiar" o partido e flertando com os principais adversários republicanos.
Ashlee Vance, biógrafo de Musk que acompanha sua vida há mais de uma década, argumenta que Musk tem se sentido frustrado e subestimado.
"Ele é um cara que gosta de falar muito, ele acha que está sempre certo e não gosta que as coisas fiquem no seu caminho", disse Vance à BBC.
A mudança da imagem pública de Musk
O grande sucesso da Tesla e da SpaceX ajudou Musk a passar de um gênio inovador a uma celebridade.
"Nesse período de cerca de 25 anos, pode-se argumentar que ele realizou mais do que qualquer outro ser humano", disse Vance.
"Ele se destaca na história por fazer isso em diferentes setores em uma escala incomparável."
Mas a riqueza crescente e a evolução política de Musk ao longo dos últimos anos também se articularam com uma imagem pública mais controversa e polarizadora, impulsionada em parte pela sua personalidade online agressiva.
"Ele sempre foi um cara que tinha muita certeza de suas opiniões e não tinha pudor de expressá-las", disse Vance.
"Ele costumava jogar dos dois lados para beneficiar suas empresas. Ele era bastante metódico, não falava muito sobre política e, sempre que falava, era sobre questões como a mudança climática."
Desde 2017 ou 2018, porém, o bilionário começou a transformar sua personalidade pública, diz ele.
"Ele diz tudo o que lhe vem à cabeça. Ele está alienando as pessoas sem motivo. Ele está se prejudicando num momento em que suas empresas estão realmente indo muito bem."
"Pessoalmente, ele não é o personagem do Twitter", continuou Vance. "Com o tempo, ele se tornou mais sociável, é extremamente racional e interessante e é uma pessoa muito diferente."
Noam Cohen, ex-colunista de tecnologia do New York Times e autor de The Know-It-Alls: The Rise of Silicon Valley as a Political Powerhouse and Social Wrecking Ball ('Os Sabe-tudo: a ascensão do Vale do Silício como uma potência política e uma bola de demolição social', em tradução literal), tem uma visão um pouco diferente.
Ele acredita que a ambição e a visão singulares de Musk fizeram dele um super-realizador nos negócios, bem como uma força "quase governamental".
Segundo ele, Musk combinou o "físico" – grandes fábricas, muitos funcionários e produtos valiosos – com o "digital" – o controle sobre como a informação se espalha.
E nenhum outro titã da tecnologia, como Mark Zuckerberg ou Jeff Bezos, conseguiu se igualar, diz Cohen.
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