VOD NOTICIAS SEM CENSURA

Cid revela em delação como fez a transferência de US$ 86 mil a Bolsonaro por venda de joias e relógios

 Para evitar a rastreabilidade dos pagamentos, quantias foram entregues em dinheiro, o que envolveu deslocamentos a cidades como Nova York, Brasília e Miami



O tenente-coronel Mauro Cid revelou em sua delação que transferiu um total de US$ 86 mil a Jair Bolsonaro, referente à venda de joias e relógios de alto valor. Essa transação levou ao indiciamento de Bolsonaro por peculato. Para evitar a rastreabilidade dos pagamentos, as quantias foram entregues em dinheiro, o que envolveu deslocamentos a cidades como Nova York, Brasília e Miami.


Os pagamentos foram realizados de maneira fracionada. A venda de relógios de marcas renomadas, como Rolex e Patek Philippe, totalizou US$ 68 mil. Dentre as transações, destacam-se US$ 30 mil entregues em setembro de 2022, em Nova York, e outros US$ 10 mil no final do mesmo ano, em Brasília. Em fevereiro de 2023, mais US$ 20 mil foram entregues em Miami, com o saldo restante pago em março de 2023 no Brasil


Além dos relógios, Cid mencionou a venda de um kit de joias da marca Chopard, que rendeu US$ 18 mil em junho de 2022. Ele esclareceu que os pagamentos foram feitos na conta de seu pai, o general Mauro Cesar de Lourena Cid, e posteriormente repassados a Bolsonaro em dinheiro vivo. Cid enfatizou que não houve qualquer registro formal da venda dos itens, e as quantias foram entregues sem a emissão de notas fiscais.


Bolsonaro pressionou para relatório sobre urnas indicar fraude em 2022




O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), afirmou em sua delação que o ex-presidente pressionou o general Paulo Sérgio Nogueira, então ministro da Defesa, para que escrevesse em relatório a existência de fraude eleitoral na eleição presidencial de 2022

De acordo com Cid, Bolsonaro “queria que escrevesse que tivesse fraude”. Veja a transcrição entre o tenente-coronel e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF):

Alexandre de Moraes: “[…] A comissão do Exército, no dia seguinte da eleição, ela fez o laudo constatando que não havia nenhum problema. Tanto que o general Paulo Sérgio, ministro da Defesa, pediu e marcou uma reunião comigo, como ministro presidente do TSE, para terça-feira. E terça de manhã ele ligou pedindo desculpas, desmarcando a reunião porque o presidente tinha chamado. E aí foi mais um mês, em outras palavras, ele foi proibido de mostrar o laudo que não tinha nenhum problema. 


Disso o senhor tem ciência?”

Mauro Cid: “Eu tô lembrando do caso. O que aconteceu foi realmente isso. Inicialmente, o general Paulo Sergio, a conclusão dele seria isso [que não houve fraude]. E o presidente estava pressionando ele para que ele escrevesse isso de outra forma. Ele queria que escrevesse alguma coisa que não…na verdade, o presidente queria que escrevesse que tivesse fraude. Então, foi feita uma construção ali e o que acabou saindo, eu acho, foi que não se poderia comprovar porque não era possível auditar. Acho que foi isso a conclusão final quando ele enviou o documento para o senhor, se não estou enganado.”


O documento, elaborado pelas Forças Armadas e enviado pelo Ministério da Defesa ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dez dias após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirma que não foram constatadas irregularidades no processo eleitoral.


No entanto, em nota divulgada pela Defesa um dia após o envio do relatório à Corte Eleitoral, a pasta argumentou que não seria possível excluir a possibilidade de fraude ou inconsistência nas urnas.


“O Ministério da Defesa esclarece que o acurado trabalho da equipe de técnicos militares na fiscalização do sistema eletrônico de votação, embora não tenha apontado, também não excluiu a possibilidade da existência de fraude ou inconsistência nas urnas eletrônicas e no processo eleitoral de 2022”, diz o comunicado compartilhado em 10 de novembro de 2022



Comentários