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Duda Salabert entra com ação na PGR e pede a prisão de Bolsonaro

 

Deputada afirma que ex-presidente incitou os presentes no ato em Copacabana contra a democracia do país




A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) entrou com representação neste domingo (16/3) na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por ter proferido falas contrárias a democracia e à segurança institucional do Brasil, como uma teoria sem comprovação sobre a lisura do processo eleitoral, e pediu que seja apresentado um pedido de prisão preventiva ao Supremo Tribunal Federal (STF).

"A permanência desse discurso falso e inflamado representa um risco à ordem democrática, pois alimenta a insatisfação de grupos extremistas que, no passado, já praticaram atos violentos contra as instituições democráticas", afirmou a parlamentar mineira.

Duda Salabert pede que o procurador Paulo Gonet abra procedimento investigatório pelas falas, sugere um pedido de prisão preventiva e a adoção de medidas cautelares

Duda alega que Bolsonaro incitou publicamente a animosidade entre Forças Armadas e os Poderes Constitucionais; tentou depor, por meio de violência ou grave ameaça, o governo legitimamente constituído; impediu ou perturbou o livre exercício dos Poderes da União, conforme o artigo 359 do Código Penal.

Bolsonaro realizou na manhã deste domingo na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, uma manifestação para pedir anistia para os condenados por invasão, depredação e pedidos de atos golpistas realizados por apoiadores dele em 8 de janeiro de 2023, na Praça dos Três Poderes, em Brasília. O ex-presidente chegou a estimar inicialmente um milhão de pessoas, mas depois, afirmou que esperava cerca de 500 mil pessoas. 

O levantamento do Monitor do Debate Público do Meio Digital, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) apontou que pouco mais de 18 mil pessoas estiveram presentes. Já o Datafolha estimou cerca de 30 mil pessoas no ato em Copacabana.

Manifestação no Rio reforça vínculo da pauta da anistia com Bolsonaro



Manifestação em Copacabana: A Luta Pela Anistia aos Presos do 8 de Janeiro e Seus Desdobramentos Políticos

No último domingo (16), a orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, foi palco de uma manifestação que rapidamente se consolidou como uma bandeira para a defesa da anistia aos presos do 8 de janeiro – pauta defendida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus principais aliados. O evento não só destacou a crítica às prisões que, segundo os manifestantes, representam uma injustiça contra aqueles que teriam sido alvos de perseguição política, mas também reforçou a estratégia de pressão sobre o Congresso Nacional para que o tema ganhe prioridade no cenário legislativo.

A Manifestação e a Pauta da Anistia

A mobilização reuniu pessoas de diversas partes do país, todas unidas pela reivindicação de anistia aos presos políticos, com especial menção ao caso de Cleriston Pereira da Cunha – o “Clezão” – que faleceu enquanto estava encarcerado em novembro de 2023. Em suas declarações, Bolsonaro reiterou que “a sociedade brasileira precisa ter coragem de deter esse abuso de poder” e questionou quantos outros precisariam morrer para que medidas concretas fossem tomadas para reverter o que ele considera um cerceamento injusto da liberdade dos seus apoiadores. Apesar das divergências quanto ao número de participantes – com a Polícia Militar do Rio estimando 400 mil pessoas e uma ONG apontando para 18,3 mil – o consenso entre os organizadores e apoiadores é que o impacto simbólico do evento ultrapassa os números, contribuindo para a criação de um ambiente de pressão que pode influenciar decisões no Congresso.

O Papel de Bolsonaro e dos Aliados Políticos

Durante a manifestação, Bolsonaro evidenciou seus esforços para articular apoio político em diversos setores do Centrão, mencionando inclusive uma conversa recente com Gilberto Kassab (PSD), secretário de Governo e Relações Institucionais do governo Tarcísio em São Paulo. Segundo o ex-presidente, “todos os partidos estão vindo” para aprovar a anistia, o que reforça a ideia de que a pauta já não se restringe apenas ao PL, mas está ganhando adesão entre representantes de várias legendas. A deputada Bia Kicis (PL-DF) também se fez presente nas redes sociais, exaltando o fervor dos participantes e afirmando que a luta pela anistia é essencial para garantir o mínimo de justiça no país. Essa articulação política se mostra crucial num contexto em que a oposição se mobiliza para ampliar a pressão sobre os parlamentares, visando construir uma base de apoio capaz de transformar a mobilização de rua em ações legislativas concretas.

Impacto e Estratégia de Mobilização

O cientista político Adriano Cerqueira, professor do Ibmec-BH e da Universidade Federal de Ouro Preto, destacou que a manifestação cumpriu o seu papel de enviar uma mensagem clara à sociedade e aos poderes constituídos. Para ele, a concentração do evento na pauta da anistia não foi apenas uma estratégia para mobilizar eleitores, mas um recado contundente de que a crítica às prisões indevidas e a defesa dos anistiados estão no centro da agenda política de Bolsonaro. Mesmo que as divergências sobre a dimensão exata do protesto circulassem nas redes sociais, a ênfase recai sobre o impacto visual e simbólico das fotos e dos discursos que poderão, gradativamente, aumentar a pressão interna no Congresso Nacional.

O senador Eduardo Girão (Novo-CE), presente também em manifestações em outras cidades como Fortaleza, ressaltou a importância de manter as mobilizações regulares. Ele defende que “os gritos das ruas ecoam e incomodam dentro do Congresso Nacional”, e que a continuidade dos protestos – inclusive com novos eventos programados para os próximos meses – é fundamental para sensibilizar os parlamentares e fortalecer a pauta da anistia. Essa perspectiva de mobilização constante evidencia uma estratégia que busca não apenas a visibilidade midiática, mas também a criação de um ambiente político no qual a pressão popular se torne insuportável para os governantes e legisladores.

Desafios e Perspectivas Futuras

Apesar do engajamento demonstrado nas ruas, especialistas alertam para os desafios que a oposição enfrentará na luta pela aprovação do projeto de lei de anistia. Paulo Kramer, doutor em Ciência Política pelo Iuperj, ressaltou que, embora o evento tenha sido um importante passo simbólico, o caminho até a aprovação efetiva passa pela construção de uma maioria robusta no Congresso. Ele lembra que, assim como nas grandes mobilizações de outras épocas – como as Diretas Já, em 1984 –, a transformação do ímpeto popular em mudanças legislativas exige não só a presença massiva nas ruas, mas também articulações políticas internas e estratégias de negociação. Além disso, o equilíbrio entre os Três Poderes e a possibilidade de o STF anular leis de anistia representam obstáculos adicionais, pois há o risco de que, mesmo com uma vitória no Congresso, a decisão possa ser revertida por instâncias judiciais.

A construção dessa frente de luta, portanto, demanda uma mobilização constante e a integração de diversas forças políticas. A convocação de novos protestos, como sugerido pelos organizadores, e a articulação com partidos do Centrão são medidas que pretendem não apenas manter o tema em debate, mas também pressionar as autoridades a adotar uma postura que favoreça a revisão das prisões consideradas injustas. Assim, o movimento não se limita a um único evento, mas se configura como parte de um esforço mais amplo de reestruturação do cenário político, onde a mobilização popular e a pressão interna nos poderes legislativo e judiciário se inter-relacionam.

Conclusão

A manifestação realizada em Copacabana representa, acima de tudo, um marco na mobilização dos apoiadores de Bolsonaro e seus aliados em torno da pauta da anistia aos presos do 8 de janeiro. Ao reunir milhares de pessoas – independentemente do número exato –, o evento reafirma a determinação de uma parcela significativa da sociedade em combater o que consideram abuso de poder e perseguição política. No cenário atual, onde a pressão sobre o Congresso e a articulação com diferentes forças políticas são essenciais para transformar demandas populares em mudanças efetivas, o protesto se insere num contexto de luta contínua por justiça e reequilíbrio dos poderes. Enquanto os desafios permanecem – com a necessidade de construir uma maioria parlamentar e enfrentar a possibilidade de intervenções judiciais – a mobilização de rua se consolida como um instrumento poderoso para manter a discussão viva e pressionar as autoridades a adotarem medidas que, para os manifestantes, trarão paz às famílias e segurança ao país.

Este episódio, assim, não é apenas mais um protesto, mas um sinal claro de que a insatisfação com o atual modelo de repressão e perseguição se transforma em mobilização ativa, capaz de articular mudanças e influenciar o debate político nacional. Em um cenário de intensas disputas e estratégias políticas, o futuro da anistia aos presos do 8 de janeiro depende, em grande parte, da continuidade e do fortalecimento dessas manifestações, que podem, de fato, transformar a história política do Brasil.








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