Investigação aponta que Cléber Rosa de Oliveira teria desligado a luz do apartamento de Daiane propositalmente para atraí-la até o subsolo, onde teria a assassinado
O síndico Cléber Rosa de Oliveira é apontado como responsável por assassinar a corretora Daiane Alves Souza no subsolo do prédio onde ela morava e levado o corpo pelas escadas para evitar registro das câmeras de segurança. A informação foi divulgada, nesta quarta-feira (28), em coletiva de imprensa realizada pela Polícia Civil de Goiás.
Daiane estava desaparecida desde 17 de dezembro de 2025 e foi encontrada morta na madrugada desta quarta, em uma área de mata na região de Caldas Novas (GO).
Cléber e o filho dele, suspeito de auxiliar na obstrução de provas para dificultar as investigações, foram presos temporariamente no âmbito do inquérito que apura a morte da corretora.
De acordo com a polícia, o síndico chegou a colaborar com as investigações e indicou aos agentes o local onde o corpo da vítima foi abandonado.
Dinâmica do crime
Segundo a Polícia Civil, Cléber teria desligado propositalmente o fornecimento de energia do apartamento de Daiane, forçando-a a descer até o subsolo do prédio. No local, ele a teria abordado enquanto a vítima filmava os relógios de energia.
A investigação aponta que o crime pode ter ocorrido em um intervalo de aproximadamente oito minutos: Daiane desaparece das imagens às 19h, e às 19h08 as câmeras registram apenas a passagem de outra moradora pelo prédio.
A análise da polícia indica que Daiane foi morta dentro do condomínio e retirada já sem vida. A única imagem do suspeito registrada naquele dia é das 12h27. Ele não utilizou os elevadores, e os acessos às escadas não eram cobertos por câmeras de monitoramento.
O condomínio possuía apenas dez câmeras de segurança, e, segundo a investigação, o síndico teria utilizado as escadas para sair com o corpo dela para evitar ser filmado.
O filho do síndico, passou a auxiliar o pai obstruindo provas, como a substituição dos celulares e outras ações para atrapalhar as investigações. Confirmando a participação dele no crime, ele poderá responder por obstrução e pelos mesmos crimes que o pai.
Brigas e processos entre a vítima e o autor
Daiane possui 12 processos contra o síndico. São processos nas áreas cível e criminal, 11 estão em andamento e um foi arquivado com sentença favorável a corretora.
Segundo a denúncia obtida pela CNN Brasil, Cléber é acusado de perseguir a corretora, entre fevereiro e outubro de 2025. As ações de perseguição começaram em novembro de 2024, após um desentendimento entre a dupla.
No documento, a promotoria alega que Daiane geria determinados imóveis dentro do condomínio onde Cleber era síndico. Em uma das locações, a mulher alugou um dos apartamentos para duas famílias, totalizando nove pessoas. No entanto, o número ultrapassou o limite máximo permitido de hóspedes por unidade no condomínio, fato que desencadeou as perseguições.
Além das exigências, o síndico também:
Sabotou o fornecimento de água, energia elétrica, gás e internet nos apartamentos geridos por Daiane, ao fechar registros, desligar padrões de energia e desconectar cabos;
Vigiava toda a movimentação de Daiane e de seus hóspedes por meio do sistema de câmeras de segurança do condomínio (e enviando as imagens para a irmã da
vítima);
Discutia frequentemente com Daiane, tanto pessoalmente quanto por aplicativos de mensagens. Em fevereiro de 2025, Cleber chegou a agredir a mulher com uma cotovelada, fato que resultou em um processo separado por lesão corporal;
Caso era tratado como desaparecimento e passou a ser visto como homicídio
Em 17 de dezembro, Daiane ficou incomodada com um corte de luz no apartamento onde morava e decidiu sair do local para verificar o problema. Ela desceu alguns andares de elevador e se deparou com um vizinho.
No caminho, eles conversaram e comentaram sobre o problema da falta de luz. Ao chegar no 2º andar do subsolo, eles saíram do elevador. Um vídeo mostra a interação até o momento da descida.
O registro das imagens, no entanto, é cortado por dois minutos. Quando as filmagens aparecem novamente, Daiane volta para o elevador e já está sozinha. Ao subir, ela olha para a câmera de segurança e desce no 1º andar do subsolo. Depois disso, ela não foi mais vista.
A Delegacia de Homicídios de Goiás passou a conduzir a investigação sobre o desaparecimento de Daiane, quando o caso deixou de ser tratado sob outras hipóteses e passou a ser conduzido como homicídio.
O que dizem as defesas
Defesa de Daiane Alves Souza
"A defesa de Daiane Alves Souza refuta veementemente a acusação de violação de domicílio e esclarece que sua inocência será cabalmente demonstrada no curso da
instrução processual.
A acusação apresentada pelo síndico é infundada e omite a realidade dos fatos. Conforme será comprovado pelas imagens do circuito interno de segurança, a conduta
de Daiane foi uma reação direta a uma situação de risco.
Após ser agredida pelo síndico, ela presenciou o mesmo confinando seu padrasto — um idoso de 79 anos — no interior da recepção do Condomínio. Diante do histórico de agressividade do síndico e do fundado receio de uma agressão física contra o idoso, Daiane adentrou ao local exclusivamente para garantir a segurança e a integridade física de seu familiar.
Tal ato encontra-se amparado pelo instituto da legítima defesa de terceiro, conforme previsto no Art. 25 do Código Penal. A defesa reafirma que a verdade prevalecerá com a apresentação das provas judiciais e que não admitirá tentativas de criminalizar uma ação legítima de proteção a um idoso."
Defesa de Cleber Rosa de Oliveira
"A defesa técnica do Sr. Cléber Rosa de Oliveira, síndico do Condomínio Amethist Tower, representada pelos advogados infra-assinados, vem a público prestar esclarecimentos em virtude das recentes notícias veiculadas sobre o desaparecimento da Sra. Daiane Alves Souza.
É fundamental pontuar, primeiramente, que o Sr. Cléber não figura como investigado no inquérito policial em curso. O administrador mantém postura colaborativa com as autoridades, fornecendo todas as informações e acessos necessários, certo de que a elucidação dos fatos é de interesse coletivo.
Em relação ao histórico de conflitos entre as partes, esclarece-se que as divergências existentes sempre foram tratadas pelo Sr. Cleber dentro da estrita legalidade e da via institucional adequada, qual seja, o Poder Judiciário.
Nesse sentido, em 19 de janeiro de 2026, o Ministério Público ofereceu denúncia em desfavor da Sra. Daiane pela prática do crime de violação de domicílio (art. 150 do Código Penal), episódio no qual o Sr. Cléber figurou como vítima.
Tal circunstância evidencia que o referido síndico sempre buscou o amparo das autoridades competentes para a resolução de conflitos, distanciando-se de qualquer pessoalidade.
Igualmente, cumpre abordar a recente denúncia oferecida em desfavor do Sr. Cléber pela suposta prática do crime previsto no art. 147-A do Código Penal.
Sobre este ponto, a defesa esclarece que todas as condutas do Sr. Cléber se deram no estrito cumprimento de seus deveres legais e estatutários na condição de síndico, visando única e exclusivamente a manutenção da ordem condominial.
As alegações contidas na referida denúncia são desprovidas de provas materiais, sustentando-se exclusivamente na versão unilateral apresentada pela Sra. Daiane. A defesa reitera que a inocência do Sr. Cléber será devidamente comprovada durante a instrução processual, momento em que ficará demonstrada a regularidade de sua atuação administrativa.
Por fim, a defesa solicita serenidade e responsabilidade na divulgação de informações, evitando-se especulações e insinuações que, desprovidas de lastro probatório, possam injustamente atingir a honra e a intimidade de um cidadão e pai de família que sempre esteve e permanece à disposição da Justiça"
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Daiane Alves Souza, de 43 anos, estava desaparecida desde dezembro passado, em Caldas Novas (GO)
Daiane sumiu há 40 dias após sair de seu apartamento para verificar a falta de energia no imóvel. Ela foi vista pela última vez dentro do elevador do condomínio onde mora, em 17 de dezembro. Na noite em que desapareceu, Daiane enviou um vídeo para uma amiga dizendo que a energia do seu apartamento havia sido desligada.
Nas imagens enviadas à amiga, Daiane mostra o apartamento sem energia elétrica, registra o trajeto até o elevador, passa pela portaria para questionar o porteiro e retorna para descer ao subsolo, onde iria religar o padrão de luz. Câmeras de segurança também registraram Daiane indo ao térreo e, em seguida, ao subsolo, mas não há imagens que mostrem a corretora deixando o edifício.
Cléber Rosa de Oliveira, o síndico do condomínio, confessou o homicídio e levou a polícia até o local onde deixou o corpo da vítima -- em uma área de mata na própria cidade. O filho dele Maykon Douglas de Oliveira também foi preso, suspeito de ter participado do crime, segundo informações da TV Anhanguera.
Conforme a TV, o síndico disse à polícia que agiu sozinho e que cometeu o crime após ter tido uma discussão acalorada com ela, no dia 17 de dezembro. O porteiro do prédio também foi encaminhado à delegacia para prestar esclarecimentos. O Noticias sem censura tenta localizar a defesa dos citados.




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