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Entenda como tensão no Estreito de Ormuz afeta cessar-fogo entre EUA e Irã

 

Países trocaram ataques na passagem marítima, levantando dúvidas sobre se a pausa na guerra continuará em vigor



Os Estados Unidos e o Irã trocaram ataques no Estreito de Ormuz nesta segunda-feira (4), segundo o chefe militar americano, colocando o cessar-fogo entre os países em xeque mais uma vez.

De acordo com o almirante Bradley Cooper, chefe do Comando Central, o regime iraniano lançou “múltiplos mísseis de cruzeiro, drones e pequenas embarcações” contra navios da Marinha dos EUA e navios comerciais que estavam sendo protegidos pelos militares americanos.

Em resposta, os Estados Unidos disseram que "explodiram" pequenas embarcações iranianas. O presidente Donald Trump publicou nas redes sociais que sete barcos foram destruídos e que um navio da Coreia do Sul foi atingido pelos iranianos.

Isso acontece em meio a um impasse nas negociações para fim da guerra e temores de que o conflito na região possa recomeçar.



Tensão em Ormuz ameaça o cessar-fogo?

Priscila Caneparo, pós-doutora em Direito Internacional e professora da Washington & Lincoln University, alerta que o aumento de ataques e possível apreensão de navios no Estreito de Ormuz pode gerar um "efeito dominó" e levar a uma resposta desproporcional por parte dos EUA ou do Irã, reiniciando a guerra.

O regime iraniano insiste que a via marítima está fechada. A Marinha da Guarda Revolucionária divulgou um mapa do estreito, destacando a área que diz estar sob seu controle e alertando que embarcações na região que não seguirem seus protocolos correm "sérios riscos".

Também nesta segunda, Trump alertou que as forças iranianas seriam "varridas da face da Terra" caso tentassem atacar navios americanos em Ormuz ou no Golfo Pérsico. Os EUA prometeram proteção para embarcações que queiram passar pela região.

"O resultado é um cessar-fogo muito frágil nesse momento, perpetuando a possibilidade de se ter uma quebra desse cessar-fogo a qualquer momento. E aí a gente poderá observar os Estados Unidos atacando novamente o território iraniano", comenta Caneparo.

"E cada vez mais a gente vê um aprofundamento dessa crise do petróleo, que vai impactar a economia global como um todo", adiciona.


A especialista também chama atenção para a redução do espaço para a diplomacia, afetando a possibilidade de novas negociações entre os países.

Segundo a professora, a troca de ataques em Ormuz pode quebrar ainda mais a confiança entre EUA e Irã e a abertura para que o conflito termine.

"Existe uma possibilidade de escalada e de que não tenha confiança mútua para acabar com essa guerra imediatamente. Reduz o espaço diplomático, e, se a diplomacia acaba não funcionando, vale a lei mais forte", conclui.

EUA não dizem se cessar-fogo foi rompido

Em meio aos questionamentos sobre a continuidade do cessar-fogo e os novos ataques, autoridades dos Estados Unidos se recusaram a dizer se a pausa na guerra ainda está em vigor.

Donald Trump foi perguntado sobre o assunto pelo radialista Hugh Hewitt, mas respondeu: "Bem, não posso lhe dizer isso. Se eu respondesse a essa pergunta, você diria que este homem não é inteligente o suficiente para ser presidente.

Além disso, o almirante Bradley Cooper também destacou que "não entraria em detalhes" sobre o cessar-fogo.

"Acho que o ponto principal para nós é que estamos lá apenas como uma força defensiva, para fornecer uma camada robusta de proteção à navegação comercial, permitindo que os navios mercantes saiam do Golfo Pérsico", comentou.


Irã ataca navio dos EUA em Ormuz, diz agência estatal; governo Trump nega




A mídia iraniana afirmou nesta segunda-feira (4) que um navio da Marinha dos Estados Unidos foi alvo de dois mísseis no Estreito de Ormuz, após o presidente Donald Trump anunciar que forças americanas passariam a guiar embarcações pela região.

Segundo a agência de notícias semiestatal Fars, o navio navegava próximo ao porto de Jask e teria desrespeitado regras de navegação e segurança marítima.

Ainda de acordo com a publicação, o ataque ocorreu após a embarcação ignorar um aviso emitido pela Marinha iraniana.

Trump declarou que os Estados Unidos iniciariam nesta segunda-feira a escolta de navios pelo estreito estratégico, que antes da guerra no Oriente Médio era uma das principais rotas de transporte de petróleo, gás e fertilizantes. A região permanece sob forte tensão após o bloqueio imposto pelo Irã.

Estados Unidos nega ataque

Pouco depois, o Comando Central dos EUA negou qualquer ataque e afirmou que nenhuma embarcação americana foi atingida. Segundo o órgão, as forças do país seguem apoiando o “Projeto Liberdade” e mantendo o bloqueio naval aos portos iranianos.

Até o momento, não há registro de danos ou vítimas.

Irã usou drones, dizem os Emirados Árabes

Após a ação, os Emirados Árabes Unidos afirmaram nesta segunda-feira que o Irã disparou dois drones contra um petroleiro ligado à estatal ADNOC no Estreito de Ormuz e condenaram o ataque.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores classificou a ação como um ato de “pirataria” por parte da Guarda Revolucionária iraniana, ao acusar Teerã de usar a rota marítima como instrumento de coerção econômica. Segundo as autoridades, não houve registro de feridos.

Escolta de navios

Trump anunciou um plano para que as forças de seu país escoltem navios no Estreito de Ormuz a partir desta segunda-feira, mas o comando militar do Irã advertiu que atacará as tropas americanas se a operação for levada adiante.

O Irã fechou quase por completo a passagem pelo Estreito de Ormuz, crucial para o tráfego mundial de combustíveis, desde que Estados Unidos e Israel iniciaram os ataques contra o país em 28 de fevereiro. Em represália, Washington mantém um bloqueio naval aos portos iranianos.

Trump anunciou no domingo a nova operação marítima em Ormuz, batizada de “Projeto Liberdade”, e a descreveu como um gesto “humanitário” para ajudar os marinheiros bloqueados na passagem marítima, que, segundo o presidente americano, poderiam estar ficando sem alimentos e outros suprimentos essenciais.

A partir da manhã de segunda-feira, no horário local, a Marinha americana escoltará, através do Estreito de Ormuz, navios de países “que não têm nada a ver com o conflito no Oriente Médio”, anunciou Trump no domingo.

Resposta do Irã

O Irã respondeu com ameaças às forças americanas. “Alertamos que qualquer força armada estrangeira – especialmente as agressivas forças militares americanas – será alvo de ataques se tentar se aproximar ou entrar no Estreito de Ormuz”, declarou o general Ali Abdollahi, do comando central do Exército iraniano.

O presidente da comissão do Parlamento iraniano responsável pela segurança nacional, Ebrahim Azizi, afirmou que qualquer “interferência” dos Estados Unidos em Ormuz seria uma violação do cessar-fogo, em vigor desde 8 de abril.

Segundo a empresa especializada em monitoramento marítimo AXSMarine, até 29 de abril havia 913 navios comerciais de todo tipo no Golfo.

“Muitos navios sofrem com a escassez de alimentos e de tudo que é necessário para que as tripulações possam permanecer a bordo em condições adequadas”, destacou Trump.

*Com informações da AFP






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