O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, retornou nesta quarta-feira (27) à Casa Branca para se reunir com o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio. A nova agenda na sede do Executivo americano ocorreu um dia depois de Flávio se reunir com o presidente Donald Trump no Salão Oval.
Segundo informações repassadas pela equipe do senador, Flávio voltou à Casa Branca a convite de Rubio e Vance, para reuniões distintas. Ele permaneceu na Casa Branca por cerca de duas horas e estava acompanhado pelo seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, e pelo jornalista Paulo Figueiredo.
Nos encontros desta quarta na Casa Branca, Flávio tratou de temas ligados à segurança pública, crime organizado, liberdade de expressão e relações entre Brasil e Estados Unidos. Ao secretário Rubio, o senador e pré-candidato à Presidência reforçou o pedido feito a Trump no dia anterior para que o governo americano avalie classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. De acordo com a equipe de Flávio, Rubio também demonstrou preocupação com o cenário brasileiro e receptividade à proposta sobre as facções.
Já na conversa com J.D. Vance, o tema central foi a liberdade de expressão. Segundo a equipe do parlamentar, Flávio apresentou ao vice-presidente americano detalhes dos novos decretos assinados pelo presidente Lula sobre regulação das plataformas digitais no Brasil.
Antes da agenda na Casa Branca, Flávio foi recebido mais cedo no Departamento de Estado pelo vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, e pelo assessor sênior para políticas voltadas ao Brasil, Darren Beattie.
Nas redes sociais, Flávio publicou uma foto ao lado de Rubio. “Seguimos fortalecendo relações internacionais, defendendo a liberdade, a democracia e os valores que unem milhões de brasileiros e americanos”, escreveu o senador
Durante encontro com Trump nesta terça-feira (27), Flávio afirmou que disse ao presidente americano que um eventual governo liderado por ele colocaria o Brasil no chamado “Escudo das Américas”, iniciativa da Casa Branca voltada à cooperação regional em segurança e defesa. O senador também afirmou que discutiu investimentos em terras raras brasileiras e possíveis acordos econômicos entre Brasil e Estados Unidos nesse setor. Flávio deve retornar ao Brasil ainda nesta quarta-feira.
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Foto e ato falho de Flávio com Trump ampliam desgaste e viram munição para a oposição
A viagem de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos e o encontro com o presidente Donald Trump abriram uma nova frente de disputa política entre bolsonaristas e governistas. No programa Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol, o editor José Benedito da Silva e o repórter Gabriel Sabóia analisaram os desdobramentos da visita e afirmaram que a tentativa do senador de transformar o encontro em um ativo eleitoral acabou produzindo uma batalha de narrativas sobre influência política, soberania nacional e subordinação aos Estados Unidos (este texto é um resumo do vídeo acima).
Segundo os participantes, a passagem de Flávio por Washington ficou marcada tanto pela divulgação da foto ao lado de Trump quanto pelo constrangimento envolvendo a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos, que negou apoio para a entrevista coletiva do senador após a reunião.
Por que a visita de Flávio à Embaixada virou polêmica?
Durante o programa, Laísa afirmou que a campanha de Flávio esperava utilizar a embaixada para conceder entrevistas a jornalistas, nos mesmos moldes da agenda realizada anteriormente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos Estados Unidos
Segundo a apresentadora, o entorno do senador alegou que o pedido inicialmente não havia recebido resposta e depois foi oficialmente negado pelo Itamaraty. Para José Benedito, porém, a negativa já era esperada. “Ele não estava nem em missão oficial”, afirmou o editor.
Na avaliação do editor, a tentativa de usar o episódio politicamente fazia parte de uma estratégia para acusar o governo Lula de tentar sabotar a visita internacional do senador. “Acho que é um episódio mais para tentar acusar o governo de estar por trás de alguma iniciativa de sabotagem da visita dele ao exterior”, disse.
O encontro com Trump foi uma vitória para Flávio?
José Benedito avaliou que, apesar dos constrangimentos, a simples realização do encontro acabou sendo importante para a campanha de Flávio. “Menos mal que ele conseguiu. Ele tem a foto”, afirmou o editor. Segundo ele, o cenário seria muito pior caso o senador tivesse viajado aos EUA sem conseguir ser recebido por Trump. “Se esse encontro não tivesse se concretizado, seria catastrófico”, disse.
Na avaliação do editor, o entorno bolsonarista pretende usar a imagem para reforçar a ideia de proximidade política entre a família Bolsonaro e o presidente americano. A estratégia também busca demonstrar influência internacional de aliados como Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo junto ao trumpismo americano.
Por que a foto virou alvo de críticas?
Embora aliados de Flávio tenham tratado o encontro como demonstração de prestígio internacional, governistas passaram a explorar detalhes da imagem divulgada nas redes sociais. José Benedito afirmou que a principal crítica feita pela oposição diz respeito à postura adotada pelo senador diante de Trump. “O Trump não se levanta para receber o Flávio Bolsonaro”, observou.
Segundo ele, governistas passaram a utilizar a imagem para reforçar um discurso de submissão política aos EUA. “Está sendo questionada essa postura subalterna”, afirmou o editor.
Laísa também destacou que a foto passou a circular nas redes acompanhada de comentários sobre a gravata usada por Flávio Bolsonaro, comparada à tradicional gravata com as cores da bandeira brasileira utilizada por Lula em compromissos oficiais.
Como o PT pretende explorar esse episódio?
Segundo José Benedito, o episódio reforça uma estratégia já conhecida do PT em campanhas presidenciais: o discurso da soberania nacional. “O pano de fundo disso aí também é a discussão pela soberania”, afirmou o editor.
Ele lembrou que o tema ajudou Lula em momentos anteriores de desgaste político e tende a voltar ao centro do debate eleitoral. Durante a viagem, Flávio defendeu junto a Trump o reconhecimento do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, argumento que governistas passaram a usar para sugerir abertura a eventual interferência americana em temas internos do Brasil.
“Os líderes governistas já começaram a dizer: ‘olha a postura de submissão’”, afirmou José Benedito.
O ato falho de Flávio virou símbolo da viagem?
Outro episódio explorado nas redes ocorreu durante entrevista coletiva concedida após o encontro. Ao comentar a reunião com Trump, Flávio mencionou equivocadamente o nome do presidente Lula antes de se corrigir. Para José Benedito, o deslize acabou revelando o verdadeiro objetivo político da viagem. “Esse é o ato falho que mostra o objetivo real da visita”, afirmou o editor. “O Flávio Bolsonaro não tira o Lula da cabeça”, completou.


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