O anime que nos cativou há 20 anos não poderia ser feito hoje, mas não pelos motivos que muitos fãs imaginam: "Eles eram a galinha dos ovos de ouro"
O anime se tornou cada vez mais popular e acessível para nós, principalmente porque praticamente todas as plataformas de streaming têm um canto para ele em seus catálogos. E depois temos gigantes como Crunchyroll e Netflix que se encarregam da distribuição internacional em grande escala, então é mais fácil do que nunca acompanhar os novos lançamentos.
Agora o anime movimenta bilhões, e Kimetsu no Yaiba e Chainsaw Man demonstraram em 2025 que o anime também pode explodir as bilheterias mundiais. No entanto, nem todas as mudanças nas últimas décadas foram para melhor.
Não é mais como era antes
Embora as séries de anime tenham cada vez mais qualidade e maior impacto, a indústria mudou muito em muito pouco tempo. E, entre outras coisas, as séries que ajudaram gerações inteiras a entrar no mundo do anime hoje não poderiam ser feitas.
E não se trata de ser "politicamente correto" ou de se adaptar aos gostos ocidentais, como também apontavam alguns estúdios. É uma questão econômica e de como o cenário mudou com os animes comerciais de hoje em dia.
Como aponta FAR, o presidente do estúdio ButaProStudio, animes de 10 e 20 anos atrás como Suzumiya Haruhi no Yūutsu ou até mesmo Madoka Magica hoje em dia não seriam viáveis. Eles teriam um orçamento e um apoio financeiro quase irrisórios, e muitas dificuldades para obter o suporte que tiveram na época.
"Muitos gêneros que fizeram sucesso nos anos 2000 e 2010 estão lentamente se tornando um nicho", refletiu o presidente. "Animes como Haruhi, K-On, Madoka ou a série Monogatari foram a galinha dos ovos de ouro na época, mas agora teriam dificuldades para obter a mesma quantidade de cuidado financeiro e de planejamento que muitos animes shonen internacionalmente digeríveis e shows de fantasia estão recebendo."
Ele não é o primeiro a fazer este tipo de comentário, e muitas figuras da indústria vêm alertando há algum tempo sobre o assunto. Especialmente sobre a popularidade dos animes isekai e das séries de fantasia "digeríveis". Porque, embora não se possa negar a qualidade de Kimetsu no Yaiba ou Jujutsu Kaisen, parece que unicamente este tipo de animes de ação consegue esse nível de produção.
Alguns fãs apontaram para o sucesso recente de Bocchi the Rock! ou Girls Band Cry. Mas, no final das contas, são sucessos pontuais, a exceção mais do que a regra, e no caso da última, sua distribuição internacional foi desastrosa, mal causando impacto. Além disso, com a quantidade de animes que estreiam a cada temporada, eles logo saem de moda e ficaram muito, muito longe do impacto que Madoka Magica teve em sua época.
Por outro lado, ainda há muitos estúdios que continuam tomando decisões arriscadas, como a Kyoto Animation. Mas a coisa está ficando cada vez mais tensa e nem mesmo lançar um dos sucessos do ano te salva da falência... assim, infelizmente, é normal que muitos estúdios de anime queiram apostar no seguro com grandes animes de fantasia e aproveitar o embalo enquanto podem.
📉 O fim de uma era? Por que os clássicos de 20 anos atrás não seriam produzidos hoje
Se você cresceu assistindo a fenômenos como Suzumiya Haruhi no Yūutsu, K-On!, Madoka Magica ou a franquia Monogatari, prepare-se para uma dose de realidade: esses animes dificilmente existiriam no cenário atual.
Ao contrário do que muita gente prega na internet, o motivo não tem nada a ver com o "politicamente correto" ou com a ocidentalização dos conteúdos. A resposta é puramente econômica.
💰 Da "Galinha dos Ovos de Ouro" ao Jogo Seguro
Quem trouxe o debate à tona foi FAR, presidente do ButaProStudio. Ele destacou como a indústria mudou drasticamente o seu foco financeiro nas últimas duas décadas:
O Boom do Shonen e da Fantasia: Hoje, o mercado é dominado por blockbusters internacionais "facilmente digeríveis" como Demon Slayer, Jujutsu Kaisen e uma enxurrada de títulos Isekai.
O Escanteio dos Nichos: Gêneros que misturavam slice-of-life, desconstrução psicológica, mistério e experimentação visual — que antes recebiam investimentos massivos — hoje lutam por orçamentos mínimos.
"Animes como Haruhi, K-On, Madoka ou a série Monogatari foram a galinha dos ovos de ouro na época, mas agora teriam dificuldades para obter a mesma quantidade de cuidado financeiro e de planejamento." — FAR, presidente do ButaProStudio
🌍 O Paradoxo do Streaming
Embora o anime hoje movimente bilhões de dólares e plataformas como Crunchyroll e Netflix facilitem o acesso global, essa mesma globalização padronizou a produção.
Para um estúdio hoje, arriscar em um projeto fora da curva é flertar com a falência. Até mesmo criar um sucesso de bilheteria não garante a sobrevivência de uma produtora no mercado hipercompetitivo atual. É por isso que aposta-se tanto no "feijão com arroz" da fantasia e da ação.
⚡ Exceções são apenas... exceções
Muitos fãs apontam para sucessos recentes como Bocchi the Rock! ou Girls Band Cry para contra-argumentar. Mas a verdade nua e crua é que:
Eles são pontos fora da curva, não a regra da indústria.
A velocidade do mercado atual faz com que séries incríveis caiam no esquecimento assim que a temporada seguinte começa.
Distribuições internacionais problemáticas (como a de Girls Band Cry) impedem que esses títulos alcancem a relevância cultural e o impacto duradouro que Madoka Magica, por exemplo, teve em sua época.
💬 E você, o que pensa sobre o rumo que a indústria de animes está tomando? Prefere a era de ouro dos anos 2000/2010 ou acha que os blockbusters de hoje compensam a falta de variedade? Deixe sua opinião nos comentários! 👇
Comentários
Postar um comentário