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Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo e outras 75 pessoas: quem vai falar na audiência nos EUA sobre tarifas

 


🚨 Brasil na Mira de Trump: Entenda o "Tarifaço" de 25% e a Lista Completa de Quem Vai Depor nos EUA

O cenário do comércio exterior entre o Brasil e os Estados Unidos entrou em uma fase crítica. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) divulgou formalmente a lista completa dos 77 porta-vozes que irão depor nas audiências públicas em Washington, perante a Comissão de Comércio Internacional dos EUA (USITC). O objetivo? Discutir a proposta do governo de Donald Trump de aplicar uma sobretaxa linear de 25% sobre uma vasta gama de produtos importados do Brasil.

O embate é o desdobramento de uma investigação minuciosa iniciada em 2025. O USTR acusa o Brasil de adotar práticas comerciais injustas, que vão desde o desenho de políticas digitais locais até questões de sustentabilidade. Entre os pontos centrais de fricção alegados pelos americanos estão:

  • Preferência ao Pix: O governo dos EUA alega que o sistema de pagamentos brasileiro cria uma reserva de mercado desleal contra empresas de serviços financeiros e cartões americanas.

  • Barreiras e Tarifas Assimétricas: Taxas consideradas "desleais e preferenciais" pelo ecossistema regulatório brasileiro.

  • Propriedade Intelectual e Compliance: Falhas apontadas na proteção de patentes e na aplicação efetiva de medidas anticorrupção.

  • Fator Ambiental: A suposta leniência no combate ao desmatamento ilegal também entrou no pacote como justificativa para sanções econômicas.

Embora o USTR tenha sugerido poupar alguns setores estratégicos — como a carne bovina, aeronaves e terras raras —, o impacto potencial sobre a indústria de transformação, o agronegócio de grãos, o setor de biocombustíveis e a manufatura pesada pode ser devastador para a balança comercial brasileira.

Para tentar conter o prejuízo, representantes do setor privado brasileiro uniram forças e contrataram o diplomata Roberto Azêvedo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC). Ele terá o papel estratégico de discursar em três painéis diferentes, defendendo grandes conglomerados e federações industriais. Outro destaque político na lista é a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e de influenciadores do debate público, como o jornalista Paulo Figueiredo.

📅 O Cronograma das Audiências Públicas

As reuniões ocorrem em Washington e serão divididas em dois dias intensificados de debates. Abaixo, confira a radiografia de cada painel e os respectivos porta-vozes escalados.

🛑 SEGUNDA-FEIRA (6)

Horário de início: 10h em Washington (11h no horário de Brasília)

O primeiro dia será fortemente dominado pelos setores de alimentos, commodities agrícolas, agronegócio de precisão, comércio de açúcar, biocombustíveis e o polêmico debate de propriedade intelectual.

Painel 1: Grãos, Arroz e Base Agrícola

  • Andressa Silva – Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz)

  • Mark Bitting – Empresa Gehring Montgomery

  • Vinicius Vanzella – Associação dos Fabricantes de Gelatina da América do Sul (Sagma)

  • Marcelo Schunn Junqueira – Sociedade Rural Brasileira (SRB)

  • Mark Wilson – Conselho de Grãos e Bioprodutos dos EUA

  • Andrew LaVigne – Associação Americana do Comércio de Sementes

Painel 2: Pecuária, Nutrição Animal e Cadeia da Carne

  • Paulo Wenceslau – Empresa FN USA

  • Bill Bullard – Fundo Jurídico de Ação de Pecuaristas e Criadores de Gado Unidos da América

  • Justin Tupper – Associação de Pecuaristas dos Estados Unidos

  • Fernanda Carneiro – Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)

  • Dan Haney – Empresa Alltech

Painel 3: Café, Mel e Vestuário

  • Marcos Matos – Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé)

  • José Luiz Pimenta Junior – Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS)

  • William Murray – Associação Nacional do Café dos EUA

  • João Marcelo Messas – Associação Brasileira dos Exportadores de Mel

  • Joelma Lambertucci de Brito – Consultoria Lambertucci Trade Solution

  • Beth Hughes – Associação Americana de Vestuário e Calçados

Painel 4: Relações Institucionais e Opinião Pública

  • Kristina Rosales – Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham)

  • James Poole – Empresa Obelisk Tech Systems

  • Anne Mckinney – Câmara de Comércio dos EUA

  • Paulo Figueiredo – Jornalista

  • Stefano Mozzi – Empresa Bauducco

  • Jody Bickett – Empresa Wholesome Sweeteners

Painel 5: Alimentos Processados, Açúcar e Orgânicos

  • Arlen Penner – Empresa Prairie Imports

  • Andrew Sargeantson – Empresa Sunland Trading

  • Michael Carle – Empresa Sweet Harvest Foods

  • Clint Hagen – Associação Americana de Produtores de Beterraba e Associação de Açúcar de Beterraba dos EUA

  • Mark Tasman – Empresa Peachtree Playthings

  • Marni Karlin – Empresa Stonyfield Organic

Painel 6: Defesa Comercial e Setor de Madeiras

  • Melinda St. Louis

  • Dan Anthony – Organização We Pay the Tariffs (Nós Pagamos as Tarifas)

  • Vinicius Nunes Pinto

  • Gustavo Pessoa

  • Ashley Amidon – Associação Internacional de Produtos de Madeira

Painel 7: Propriedade Intelectual, Etanol e Energia Renovável

  • Rodrigo A. de Ouro Preto Santos – Associação Brasileira de Propriedade Intelectual (ABPI)

  • Chris Bliley – Empresa Growth Energy

  • Matthew Frostic – Associação Nacional de Produtores de Milho dos EUA

  • Edward Hubbard – Associação de Combustíveis Renováveis dos EUA

  • Andrea Almeida – União Nacional do Etanol de Milho do Brasil (Unem)

  • Welber Barral – União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia do Brasil (Unica)

🛑 TERÇA-FEIRA (7)

Horário de início: 10h em Washington (11h no horário de Brasília)

O segundo dia concentra a artilharia pesada da indústria de transformação, metalurgia, siderurgia, manufaturados de alto valor agregado e bens de capital. É neste dia que Roberto Azêvedo e o senador Flávio Bolsonaro concentram suas participações.

Painel 8: O Painel Político e o Setor de Calçados

Nota de Destaque: Este é considerado um dos painéis mais quentes politicamente, reunindo a interlocução da liderança parlamentar brasileira, a diplomacia comercial e grandes marcas de calçados que dependem da exportação.

  • Flávio Bolsonaro (PL-RJ) – Senador da República

  • Roberto Azêvedo – Representando a Confederação Nacional da Indústria (CNI)

  • Letícia Sperb Masselli – Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados)

  • Matt Priest – Distribuidores e Varejistas de Calçados da América (FDRA)

  • Peter Grueterich – Empresa JPT Group LLC Bernardo Calçado

Painel 9: Varejo Global e Tecnologia de Energia

  • Pete Ruggiero – Empresa Crayola LLC

  • Jonathan Gold – Federação Nacional de Varejo dos EUA (NRF)

  • Lauren Gray – Empresa Dillard’s Inc.

  • Roberto Azêvedo – Representando a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)

  • Tim Tarpley – Conselho de Força de Trabalho e Tecnologia de Energia dos EUA

Painel 10: Siderurgia, Mineração e Cerâmica

  • Roberto Azêvedo – Representando a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN)

  • Alais Coluchi – Associação Brasileira dos Fabricantes de Revestimentos Cerâmicos (Anfacer)

  • Wilton José Machado – Empresa Brasil Minérios

  • João Baroni – Empresa Engemasa Engenharia e Materiais

  • Atom Saverse – Empresa Isolatek International Corporation

  • Timothy Brightbill – Coalizão de Produtores Americanos de Carpintaria

Painel 11: Defesa, Química e Manufaturados Avançados

  • Colby Slaughter – Empresa Rayonier Advanced Materials

  • Homero Busnello – Empresa Tecumseh do Brasil

  • Nils Kah – Empresa SHF Yachts

  • Bret Vorhees – Empresa Taurus Holdings (Setor de Armamentos)

  • Timothy Bauer – Empresa Amyris

  • Mark Kaplan – Coalizão de Fornecimento de Moinhos dos EUA

Painel 12: Alumínio, Aço e Automação Industrial

  • Tessa Capeloto – Empresa Century Aluminum

  • Kyle Lundin – Empresa Mesabi Metallics

  • Celso Figueiredo – Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer)

  • Brandon Farris – Associação de Fabricantes de Aço dos EUA

  • Fernando Staudt – Empresa Altus Sistemas de Automação

  • Wagner Parente – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq)

Painel 13: Motores Elétricos, Papel e Celulose

  • Peter Barry – Empresa WEG Electric Corp.

  • Matthew Barron – Empresa Sylvamo

  • Welber Oliveira Barral – Indústria Brasileira de Árvores (Ibá)

  • Celso Figueiredo – Representando a Klabin S.A.

  • Patrick Bloom – Empresa Cleveland-Cliffs Inc.

  • Barry Schneider – Empresa Steel Dynamics Inc.

Painel 14: Pedras Naturais, Construção Civil e Madeira Processada

  • Fabio Cruz – Associação Brasileira de Pedras Naturais (Centrorochas)

  • James Hieb – Instituto de Pedra Natural dos EUA (NSI)

  • Janelle Edmonds – Empresa Wisenbaker Builder Services

  • James Durbin – Empresa Portobello América

  • Gian Carlo Almeida Marodin – Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci)

📈 O que está em jogo para a economia brasileira?

Caso a administração de Donald Trump decida seguir à risca a recomendação do USTR, o impacto no PIB industrial brasileiro pode ser profundo. Especialistas apontam que a taxação de 25% funciona, na prática, como uma barreira proibitiva para diversos mercados, tirando a competitividade de produtos que já sofrem com o chamado "Custo Brasil".

A estratégia da defesa brasileira se dividirá em duas frentes nas audiências: demonstrar que as acusações do USTR sobre o Pix e as questões ambientais são exageradas ou desalinhadas com a realidade técnica, e comprovar que a taxação vai punir as próprias empresas e consumidores americanos, que dependem das matérias-primas e dos componentes industrializados vindos do Brasil.

As audiências públicas marcam o último suspiro técnico e diplomático antes da decisão final da Casa Branca. Resta saber se o pragmatismo econômico ou as pressões protecionistas ditarão o tom da decisão final americana.

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O que Flávio Bolsonaro prometeu a Trump caso seja eleito sobre Pix, Mercosul e redes sociais




O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do PL ao Palácio do Planalto, apresentou ao governo dos Estados Unidos, nesta quinta-feira (2/7), uma manifestação tentando convencer a gestão do presidente Donald Trump a aguardar as eleições brasileiras de outubro antes de decidir se impõe novas tarifas contra produtos importados do Brasil. Na carta, ele pede que a possível punição seja suspensa por ao menos 180 dias.

No documento, ele argumenta que um novo tarifaço acabaria fortalecendo a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tem classificado as retaliações americanas como ataques à soberania nacional.

Flávio promete, caso eleito, "nomear imediatamente um negociador para conduzir as negociações de boa-fé" e indica ações do seu governo para resolver as acusações de comércio desleal contra o Brasil.

Entre as medidas prometidas estão não conectar o Pix a meios de pagamento instantâneos internacionais não ocidentais, desonerar o setor de cartões de crédito (beneficiando grandes empresas americanas) e buscar acordos bilaterais de comércio com os EUA, libertando o Brasil das "amarras do Mercosul".

Ele também diz que, caso a atual oposição ganhe mais cadeiras no Senado em outubro, será possível cassar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que têm tomado decisões contra plataformas americanas de redes sociais, uma das questões que irritam a gestão Trump — e que o campo bolsonarista chama de censura.

A manifestação de Flávio Bolsonaro foi enviada ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão que iniciou uma investigação comercial contra o Brasil em julho passado, após o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) articular junto à Casa Branca retaliações ao país para tentar evitar a condenação do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pelo STF — ele acabou condenado em setembro por tentativa de golpe de Estado.

A investigação foi concluída no início de junho, recomendando tarifas retaliatórias de 25% a produtos brasileiros, com o argumento de que certas práticas do governo brasileiro são "irrazoáveis" e "oneram ou restringem o comércio dos EUA".


Depois disso, foi aberto prazo até 1º de julho para que partes interessadas se manifestassem sobre o tema, contexto em que Flávio Bolsonaro enviou suas considerações. Ele também está inscrito para participar de uma audiência pública nos EUA no dia 7 de julho.


Já o governo Lula contesta as acusações dos EUA contra o Brasil e tem feito rodadas de negociações com autoridades americanas para tentar convencer a Casa Branca a não impor as novas tarifas.

Além disso, também enviou uma manifestação a USTR, assinada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, argumentando que "amplas tarifas sobre produtos brasileiros imporiam custos reais à economia dos EUA".

As supostas práticas brasileiras condenadas na investigação americana incluem o Pix, visto como um concorrente desleal a outros meios de pagamento, e tarifas de importação mais benéficas para outros países com os quais o Brasil tem acordos, como México e Índia.

A investigação apontou ainda como problemáticas supostas falhas no combate à corrupção e à proteção da propriedade intelectual no país, assim como a atuação do Judiciário brasileiro no controle de plataformas digitais.

Entenda a seguir o que Flávio prometeu ao governo Trump em quatro pontos.

Donald Trump

Crédito,Reuters

Legenda da foto,Donald Trump ordenou investigação sobre práticas comerciais do Brasil em julho de 2025

Pix: o que dizem os EUA e o que promete Flávio

A gestão Trump diz que o governo brasileiro "tem prejudicado injustamente as empresas americanas" ao favorecer o Pix e acusa o Banco Central brasileiro de exercer papel duplo "como regulador e proprietário/operador" do meio de pagamento instantâneo.

"O banco tem atuado como regulador para desfavorecer provedores de serviços de pagamento eletrônico dos EUA e privilegiar o Pix. Por exemplo, o Banco Central exige o uso do Pix por instituições financeiras com mais de 500 mil contas e requer que o Pix seja exibido na tela principal do aplicativo das instituições participantes com destaque igual ou superior a qualquer outra funcionalidade de pagamento ou transferência."

Além disso, há críticas pelo fato de o Banco Central exigir que o Pix seja ofertado sem taxas aos clientes. Segundo a conclusão da investigação, as autoridades brasileiras obrigam empresas americanas a promover o sistema brasileiro sem compensações às instituições americanas.

"Os atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao tratamento preferencial dado ao Pix são injustos e discriminatórios. É injusto exigir que os concorrentes ofereçam vantagens ao Pix, como disponibilidade, visibilidade e limites de taxas, e o Brasil discrimina os fornecedores de serviços de pagamento eletrônico dos EUA ao conceder essas vantagens apenas a seu campeão nacional do Brasil."

Em sua manifestação, Flávio Bolsonaro defende o Pix como uma das principais inovações do governo de seu pai, Jair Bolsonaro, embora o então presidente tenha indicado não conhecer a ferramenta quando ela foi implementada, ao ser questionado por apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada.

A ferramenta começou a ser desenvolvida no governo anterior, de Michel Temer, por técnicos do Banco Central e foi lançada em 2020.

O senador também rebate críticas sobre possível conflito de interesses ao comparar o Pix ao sistema norte-americano FedNow, sustentando que ambos cumprem funções semelhantes como plataformas operadas por bancos centrais.

O parlamentar também argumenta que o crescimento do Pix não prejudica empresas dos Estados Unidos no Brasil, já que ampliou a inclusão financeira e o mercado consumidor, beneficiando companhias norte-americanas de comércio eletrônico, tecnologia e fintech.

Apesar de contestar as queixas americanas, Flávio promete que "o Pix não será interconectado a arranjos de liquidação transfronteiriça não ocidentais", numa aparente sinalização de que, caso eleito, não avançará em acordos com a China nesse campo — a potência asiática já manifestou interesse nesse sentido, mas as discussões são iniciais.

Além desse compromisso, Flávio disse que há margem significativa para tornar mais leve a regulamentação e a tributação do setor, destacando que outros meios de pagamento, como cartões de crédito, oferecem funções que o Pix não substitui, incluindo crédito ao consumidor e financiamento parcelado.

"Esses instrumentos hoje suportam uma carga regulatória e tributária que suprime a concorrência em vez de promovê-la. Reduzir essa carga não privilegiaria nenhuma empresa; ampliaria a escolha do consumidor, reduziria o custo das trocas voluntárias e apoiaria o crescimento econômico — resultados que beneficiam o consumidor brasileiro e a economia em geral de forma tão direta quanto o próprio setor", defendeu, na manifestação ao USTR.

Já a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) defendeu o Pix em nota divulgada em junho e disse que a conclusão da investigação dos EUA decorre de "informações incompletas acerca dos seus objetivos e funcionamento".

"O Pix é uma infraestrutura de pagamento, e não um produto comercial, que favorece a competição e o bom funcionamento do sistema de pagamentos e, consequentemente, da atividade econômica. Trata-se de um modelo aberto e não discriminatório, com participação de bancos, fintechs, instituições financeiras nacionais e estrangeiras", afirmou a entidade.

Print da publicação de Trump na Truth Social, em que ele posta duas fotos do encontro com Flávio Bolsonaro

Crédito,Reprodução

Legenda da foto,Após encontro em junho, o republicano chamou Flávio Bolsonaro de "um jovem inteligente que ama muito o seu país" em postagem de rede social

Flávio e EUA contra supostas interferências nas redes socias

Segundo o governo americano, "tribunais brasileiros emitiram decisões sigilosas determinando que empresas americanas de redes sociais removam determinados conteúdos políticos e suspendam perfis de residentes nos Estados Unidos — em alguns casos, com alcance global —, além de proibirem as plataformas de informar os usuários sobre essas ordens".

O documento com a conclusão da investigação do USTR fala em imposição de multas elevadas, restrições ao acesso a ativos, contas e sistemas de pagamento no Brasil e, em pelo menos um caso, o bloqueio total de um site.

O pré-candidato do PL concorda, em sua manifestação, com as queixas americanas sobre atuação de instituições brasileiras que interferem no funcionamento das redes sociais, criticando decisões do STF e do governo Lula nessa área. O campo bolsonarista tem se posicionado contra o endurecimento da regulamentação e das obrigações dessas empresas e se coloca como vítima de decisões do Judiciário que, nos últimos anos, tem derrubado postagens e contas que envolveriam conteúdo criminoso.

Flávio Bolsonaro argumenta, porém, que a imposição de tarifas contra o Brasil não vai alterar esse cenário. Ele diz que a solução está no Legislativo e que ministros do STF poderão ser cassados caso a oposição a Lula ganhe espaço no Congresso após as eleições de outubro.

"O Senado recebeu dezenas de pedidos de impeachment contra membros da Corte ligados a esse suposto abuso de autoridade — pedidos que estão parados, mas poderiam avançar caso a oposição ganhe força em outubro", escreveu ao governo dos EUA.

Além disso, o senador argumenta que "uma abordagem mais adequada" à implementação de tarifas amplas contra o Brasil é a adoção de "medidas direcionadas", como "sanções financeiras e restrições de visto contra autoridades responsáveis, retaliações que já foram usadas contra ministros do STF.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aperta a mão do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva durante um encontro na Casa Branca. Ambos sorriem para a câmera em um ambiente interno, com quadros dourados e outras pessoas desfocadas ao fundo.

Crédito,Ricardo Stuckert/Divulgação

Legenda da foto,Lula anunciou acordo no mês passado para negociar impasse sobre tarifas e investigação comercial americana

Acordo bilateral e libertação das 'amarras do Mercosul'

O USTR acusa o Brasil de privilegiar alguns países no comércio internacional.

"Por meio de acordos comerciais preferenciais de escopo limitado com México e Índia — que abrangem setores nos quais esses países são produtores avançados e competitivos globalmente —, o Brasil concede tarifas mais baixas e tratamento preferencial a centenas de produtos mexicanos e indianos em diversos setores", disse o órgão, na conclusão da investigação.

Ao comentar esse tópico, Flávio Bolsonaro prometeu negociar condições melhores paras a trocas entre Brasil e EUA. Ele disse que vai "buscar de forma mais agressiva formas de estabelecer acordos bilaterais que promovam comércio e investimento entre ambos os países".

"O Brasil busca maneiras de se desvincular das amarras do Mercosul que impediram administrações anteriores de negociar com os Estados Unidos. O caminho adotado pela Argentina de Javier Milei oferece um precedente útil que o autor afirma estar disposto a examinar e seguir", disse ainda.

Corrupção: Flávio cita Master, mas ignora dinheiro para filme sobre Bolsonaro

O governo dos EUA também diz que empresas americanas seriam prejudicadas porque "o Brasil não adota medidas de fiscalização suficientes para enfrentar práticas de suborno e corrupção".

Sobre essa queixa, Flávio Bolsonaro reconhece que há grandes escândalos de corrupção no Brasil, mas diz que isso não é um problema estrutural do país, mas um problema relacionado a governos do PT, citando os escândalos do Mensalão e da Lava Jato, e, mais recentemente, as fraudes bilionárias envolvendo o INSS e o Banco Master.

Em sua carta, o senador não cita que ele próprio sofreu desgaste ao ser revelado que solicitou ao banqueiro Daniel Vorcaro aportes de dezenas de milhões de reais do Master para a gravação de um filme em homenagem ao seu pai — R$ 61milhões foram liberados até a liquidação do banco, em novembro.

Ele também ignorou em sua manifestação que, segundo as investigações da Polícia Federal, as fraudes no INSS começaram antes do atual governo, incluindo a gestão de Jair Bolsonaro.

Apesar disso, Flávio diz que o governo de seu pai não teve escândalos de corrupção.

"A gestão do presidente Jair Bolsonaro, de 2019 a 2022, transcorreu sem qualquer esquema de corrupção sistêmica de escala comparável [aos escândalos do PT]. O objetivo é tornar isso uma característica estável do Estado, e não um traço de uma administração específica", prometeu na manifestação ao governo Trump.




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