Flávio Bolsonaro segue sem explicar financiamento de ‘Dark Horse’ publicamente 2 meses após promessa
Senador se comprometeu, em 19 de maio, a apresentar relatório detalhado sobre a utilização e o destino dos recursos usados na produção do longa-metragem; pré-campanha diz que assunto está com a produtora, que afirma que informações foram prestadas à Justiça, em processo que corre sob sigilo
🚨 R$ 134 milhões e nenhuma resposta: O mistério do filme 'Dark Horse'
Dois meses após prometer transparência pública, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) segue sem explicar o financiamento do longa-metragem "Dark Horse", que reconta a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em 19 de maio, após o vazamento de áudios em que pedia dinheiro diretamente ao banqueiro Daniel Vorcaro (então dono do Banco Master), o senador se comprometeu a apresentar um relatório detalhado de contas em até 30 dias. O prazo venceu em 19 de junho, e o silêncio permanece.
🔍 O que se sabe até agora?
O tamanho do pedido: Flávio Bolsonaro teria negociado diretamente com Vorcaro o repasse de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões) para a produção do filme.
A fatia do banqueiro: Dados públicos indicam que o dinheiro de Vorcaro custeou mais de 80% do filme. No total, a produção declarou à Justiça ter gasto R$ 75 milhões (56% do montante inicialmente negociado).
A rota do dinheiro: Os recursos foram enviados para o Havengate Development Fund, um fundo sediado no Texas (EUA) e controlado por aliados do deputado Eduardo Bolsonaro.
⚖️ Investigações e Sigilo
Atualmente, a pré-campanha de Flávio empurra a responsabilidade para a produtora Go Up Entertainment. A empresa, por sua vez, afirma que já entregou um laudo pericial à Justiça. O problema? O processo corre sob segredo de Justiça.
A Polícia Federal e a Polícia Civil investigam duas frentes principais:
Se o dinheiro enviado ao fundo nos EUA serviu para financiar outras atividades políticas no exterior.
Se houve desvio de recursos públicos de um contrato da Prefeitura de São Paulo para abastecer o longa.
💬 O outro lado
Em entrevista recente ao Flow Podcast, Flávio Bolsonaro justificou a estrutura internacional afirmando que a produção nos EUA buscou evitar "perseguição" e "canetadas" do STF. Ele defendeu que se trata de um "contrato privado" e alegou que, na época dos pedidos, não havia nada de errado contra o investidor Daniel Vorcaro.
Cronologia dos fatos: As investigações sobre fraudes milionárias no Banco Master vieram a público em agosto de 2025. Flávio Bolsonaro cobrou os pagamentos a Vorcaro em 16 de novembro de 2025. No dia seguinte, o banqueiro foi preso. Um dia depois, o Banco Master sofreu liquidação pelo Banco Central.
A falta de uma prestação de contas pública e transparente segue desgastando a imagem do senador em sua pré-campanha.
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