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Setor produtivo teme repercussão de falas de Flávio na Casa Branca

 Participantes das audiências dizem que discurso tem pouco impacto na decisão dos EUA, mas pode motivar “surpresas” de Trump



Representantes do setor produtivo que participaram das audiências públicas do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), o mercado financeiro e presidentes de associações de produtos impactados pelo tarifaço temem que o discurso do senador Flávio Bolsonaro (PL – RJ) motive novas “surpresas” da Casa Branca.


O USTR sugeriu uma tarifa de 25% às exportações brasileiras depois da investigação comercial aberta contra o país, em julho do passado, depois de Trump anunciar retaliações sob a alegação de perseguição ao ex-presidente, Jair Bolsonaro (PL).


Há um consenso do setor privado de que o discurso do pré-candidato do PL à Presidência, avaliado como “político”, “frustrante”, “eleitoreiro” e  “marqueteiro”, não deve repercutir no USTR por ser um órgão técnico. A ausência de integrantes do governo Lula aumentou essa preocupação. O Planalto optou por enviar representantes só como observadores a Washington.


Da parte de quem se disse decepcionado com as falas, o motivo principal foi a ausência de citações a setores mais impactados e dos efeitos para as economias dos 2 países. Esse foi o caminho seguido por representantes das associações que discursaram nos 2 dias de audiência. Outros integrantes do setor produtivo disseram não esperar “nada de diferente” do senador. 


Flávio falou sobre corrupção ao citar o mensalão e o caso Master. Também mencionou o STF (Supremo Tribunal Eleitoral).


IMPACTO NAS ELEIÇÕES

Para quem estava nas audiências, a avaliação é de que Flávio perdeu a oportunidade de se colocar como um “estadista” e de que ele busca algo para “levar o crédito”.


Também afirmaram que o impacto para a candidatura é mais negativo do que positivo.


De acordo com eles, a participação do senador falhou como resposta às críticas de governistas de que a família Bolsonaro seria responsável pelas tarifas do presidente norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano), contra o Brasil.



Ala do setor produtivo reage mal à ida de Flávio aos EUA


A ida do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos para tratar das tarifas sobre produtos brasileiros foi mal recebida por parte do setor produtivo que acompanha as audiências.

Para empresários que buscavam dissuadir o governo americano da aplicação de uma nova tarifa ao Brasil, o senador perdeu a oportunidade de se apresentar como alguém capaz de dialogar tecnicamente sobre comércio, com chance para defender, de forma mais ampla, os interesses das empresas brasileiras afetadas pela medida.


A avaliação entre representantes do setor é que havia espaço para uma intervenção mais objetiva, voltada aos argumentos já utilizados pelos empresários brasileiros, com mais informações sobre os impactos econômicos das tarifas, às cadeias produtivas atingidas e aos riscos para consumidores e empresas dos dois países. Em vez disso, interlocutores ouvidos reservadamente dizem que Flávio manteve o tom político que já adota no Brasil.

Por sua vez, a crítica de parte do setor produtivo não significa apoio à atuação do governo brasileiro. Há queixas também entre empresários de que o governo “deixou” o setor produtivo sozinho na tentativa de reverter os efeitos das tarifas. A presença de observadores da embaixada do Brasil, em Washington, foi bem recebida, mas considerada insuficiente.

Por isso ainda, a participação de Flávio não foi vista como capaz de preencher esse vazio, já que, na visão de empresários, o senador poderia ter usado a agenda para buscar apoio entre setores.

A percepção, porém, foi de que Flávio “pregou para convertido”, ao direcionar o discurso mais para sua própria base política do que para os empresários.

Um dos relatos é que, após a saída do senador, a audiência voltou a ganhar atenção dos presentes. A participação dele foi descrita por um interlocutor como um “lapso” em meio a uma discussão que exigia argumentos econômicos mais consistentes.

Para parte do setor produtivo, a passagem de Flávio pelos Estados Unidos poderia ter sido uma chance de flertar com um papel mais moderado e presidencial. Em vez disso, a avaliação é que ele reforçou a imagem de um político em campanha.

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