Participantes das audiências dizem que discurso tem pouco impacto na decisão dos EUA, mas pode motivar “surpresas” de Trump
Há um consenso do setor privado de que o discurso do pré-candidato do PL à Presidência, avaliado como “político”, “frustrante”, “eleitoreiro” e “marqueteiro”, não deve repercutir no USTR por ser um órgão técnico. A ausência de integrantes do governo Lula aumentou essa preocupação. O Planalto optou por enviar representantes só como observadores a Washington.
Da parte de quem se disse decepcionado com as falas, o motivo principal foi a ausência de citações a setores mais impactados e dos efeitos para as economias dos 2 países. Esse foi o caminho seguido por representantes das associações que discursaram nos 2 dias de audiência. Outros integrantes do setor produtivo disseram não esperar “nada de diferente” do senador.
Flávio falou sobre corrupção ao citar o mensalão e o caso Master. Também mencionou o STF (Supremo Tribunal Eleitoral).
IMPACTO NAS ELEIÇÕES
Para quem estava nas audiências, a avaliação é de que Flávio perdeu a oportunidade de se colocar como um “estadista” e de que ele busca algo para “levar o crédito”.
Também afirmaram que o impacto para a candidatura é mais negativo do que positivo.
De acordo com eles, a participação do senador falhou como resposta às críticas de governistas de que a família Bolsonaro seria responsável pelas tarifas do presidente norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano), contra o Brasil.
Ala do setor produtivo reage mal à ida de Flávio aos EUA
A ida do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos para tratar das tarifas sobre produtos brasileiros foi mal recebida por parte do setor produtivo que acompanha as audiências.
Para empresários que buscavam dissuadir o governo americano da aplicação de uma nova tarifa ao Brasil, o senador perdeu a oportunidade de se apresentar como alguém capaz de dialogar tecnicamente sobre comércio, com chance para defender, de forma mais ampla, os interesses das empresas brasileiras afetadas pela medida.
A avaliação entre representantes do setor é que havia espaço para uma intervenção mais objetiva, voltada aos argumentos já utilizados pelos empresários brasileiros, com mais informações sobre os impactos econômicos das tarifas, às cadeias produtivas atingidas e aos riscos para consumidores e empresas dos dois países. Em vez disso, interlocutores ouvidos reservadamente dizem que Flávio manteve o tom político que já adota no Brasil.
Por sua vez, a crítica de parte do setor produtivo não significa apoio à atuação do governo brasileiro. Há queixas também entre empresários de que o governo “deixou” o setor produtivo sozinho na tentativa de reverter os efeitos das tarifas. A presença de observadores da embaixada do Brasil, em Washington, foi bem recebida, mas considerada insuficiente.
Por isso ainda, a participação de Flávio não foi vista como capaz de preencher esse vazio, já que, na visão de empresários, o senador poderia ter usado a agenda para buscar apoio entre setores.
A percepção, porém, foi de que Flávio “pregou para convertido”, ao direcionar o discurso mais para sua própria base política do que para os empresários.
Um dos relatos é que, após a saída do senador, a audiência voltou a ganhar atenção dos presentes. A participação dele foi descrita por um interlocutor como um “lapso” em meio a uma discussão que exigia argumentos econômicos mais consistentes.
Para parte do setor produtivo, a passagem de Flávio pelos Estados Unidos poderia ter sido uma chance de flertar com um papel mais moderado e presidencial. Em vez disso, a avaliação é que ele reforçou a imagem de um político em campanha.

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