Glória Menezes morreu em casa ao lado de Tarcísio Filho e familiares

 

Atriz, considerada a primeira-dama da TV brasileira, estava debilitada devido à idade avançada



A atriz Glória Menezes morreu nesta terça (18) aos 91 anos de idade. Conforme a assessoria confirmou , a estrela da televisão morreu em casa, acompanhada de Tarcísio Filho, seu filho caçula, e demais familiares.

A causa da morte ainda não foi identificada, mas a assessoria confirmou que a atriz estava debilitada devido à idade avançada. Também não há informações sobre o velório da atriz.


Com a partida, Glória deixa três filhos, sendo Tarcísio Filho, fruto de seu casamento com Tarcísio Meira, e dois de seu primeiro enlace com Arnaldo Brtio, João Paulo e Maria Amélia. Ela também deixou dois netos, Theo Fagundes, enteado de Tarcísio e filho de sua esposa, Mocita Fagundes, e João Paulo da Cruz Britto Filho, filho do primogênito da atriz.

Dos filhos, apenas Tarcísio Filho seguiu os passos dos pais no universo dos palcos, que trabalhou em folhetins como "Éramos Seis" (1994), "A Casa das Sete Mulheres" (2003) e "Êta Mundo Bom!" (2016).

Glória Menezes é considerada a primeira-dama da TV brasileira; foi pioneira em protagonizar uma novela diária na televisão brasileira e teve uma carreira de mais de 60 anos no teatro, cinema e televisão.


Glória Menezes: relembre papéis marcantes da 'primeira-dama' que comoveu gerações e ajudou a escrever a história da TV brasileira


Por mais de seis décadas, Glória Menezes emprestou o rosto e a voz a algumas das personagens mais lembradas da dramaturgia brasileira.

Considerada uma das "primeiras-damas" da TV, a atriz morreu nesta terça-feira (18/8), aos 91 anos, no Rio de Janeiro, por causas naturais, segundo sua assessoria de imprensa.

A morte de Glória acontece logo após a partida de outra veterana da televisão, Laura Cardoso, que morreu aos 98 anos.

As duas chegaram a contracenar em Irmãos Coragem, novela de 1970: Glória interpretava Lara, Diana e Márcia, enquanto Laura fazia Sinhana Coragem.

Nilcedes Soares de Magalhães nasceu no Rio Grande do Sul, mas foi em São Paulo que encontrou o caminho para se tornar Glória Menezes.

Apaixonada por teatro, ingressou na Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo (USP), e foi no ali que deu os primeiros passos profissionais, em 1959. No mesmo ano, estreou na televisão na novela Um Lugar ao Sol, da TV Tupi.

A experiência nos palcos seria fundamental para a atriz ao longo de sua carreira.

"O teatro me ensinou o que preciso para fazer televisão e cinema. Ele dá o conhecimento necessário para interpretar qualquer personagem diante das câmeras", disse Glória ao site Memória Globo.

Sua trajetória profissional se confunde, em parte, com a do ator Tarcísio Meira, com quem dividiu a vida e os palcos e estúdios por mais de 50 anos. Os dois se conheceram em 1960, nos bastidores da peça Feiticeiras de Salém.

Dois anos depois, se casaram e formaram um dos casais mais conhecidos da história da televisão brasileira. Em 1964, nasceu o filho único do casal, Tarcísio Filho, que também seguiu carreira como ator.

Tarcísio Meira morreu em agosto de 2021, aos 85 anos, por complicações da covid-19 — também com poucas horas de diferença da partida de outro grande ator, Paulo José.

Ao longo de sua carreira, Glória interpretou dezenas de personagens no teatro, no cinema e na televisão.

Entre seus papeis mais recentes estão personagens nas novelas Páginas da Vida (2006), A Favorita (2008), e Totalmente Demais (2015) — este sendo seu último trabalho na TV.

Relembre alguns dos personagens mais marcantes de Glória Menezes.

Leila (Glória Menezes) e Diogo (Tarcisio Meira) em 'Espelho Mágico

Crédito,Acervo Globo Globo/ Divulgação

Legenda da foto,Glória Menezes e Tarcísio Meira contracenaram em diversas novelas

Rosa — O Pagador de Promessas (1962)


Intepretando Rosa, a inocente e fiel esposa do protagonista Zé do Burro, Glória Menezes teve uma estreia e tanto no cinema.

O Pagador de Promessas, adaptação de uma peça escrita por Dias Gomes nos anos 1950, ganhou em 1962 a prestigiosa Palma de Ouro do Festival de Cannes e foi o primeiro filme brasileiro indicado ao Oscar, em 1963.

A versão cinematográfica, com filmagens em Salvador, foi dirigida por Anselmo Duarte. Ele descobriu a atriz assistindo à sua atuação na peça As Bruxas de Salém.

Glória interpretaria a prostituta Marli e a atriz Maria Helena Dias, Rosa. Entretanto, esta adoeceu, e Glória acabou assumindo o papel da esposa de Zé do Burro — interpretado por Leonardo Vilar.

Por sua atuação no filme, Glória Menezes recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema de Curitiba de 1962.

Na trama, Zé do Burro — acompanhado por Rosa — leva uma cruz de madeira do sertão até a cidade para pagar uma promessa feita a Iansã. Entretanto, ao chegar à Igreja de Santa Bárbara, enfrenta a oposição de um padre para cumprir a promessa feita à orixá.

Emily — 2-5499 Ocupado (1963)

Glória Menezes participou da obra que é considerada a primeira novela diária da TV brasileira: 2-5499 Ocupado.

Na trama da TV Excelsior, Glória interpretou Emily, uma jovem presidiária que, por ter um bom comportamento, trabalha como telefonista na penitenciária. Durante o trabalho, acaba se apaixonando pela voz de Larry, um advogado interpretado por Tarcísio Meira, depois de uma ligação feita por engano.

Foi a primeira vez que Glória e Tarcísio formaram um casal de protagonistas na televisão. Eles já eram casados na época.

A novela teve apenas 42 capítulos e começou sendo exibida três vezes por semana, mas passou pouco depois para o formato diário.

Lara, Diana e Márcia — Irmãos Coragem (1970)

Talvez o papel mais emblemático da carreira de Glória tenha sido em Irmãos Coragem. Na novela, exibida em 1970 pela Globo, ela interpretou três facetas da mesma personagem: Lara, Diana e Márcia.

A personagem exigia uma mudança constante de registro: enquanto Lara era mais delicada e romântica, Diana e Márcia apresentavam comportamentos e personalidades diferentes.

A novela, escrita por Janete Clair, foi um dos maiores sucessos da televisão brasileira e ajudou a consolidar Glória como uma das principais estrelas da dramaturgia nacional.

O papel também marcou uma das muitas parcerias de Glória com Tarcísio Meira, que interpretava João Coragem.

Laurinha Figueroa — Rainha da Sucata (1990)

Laurinha Figueroa (Glória Menezes) em Rainha da Sucata

Crédito,TV GLOBO / Nelson Di Rago

Legenda da foto,Glória Menezes interpretou Laurinha Figueroa na novela Rainha da Sucata

Em Rainha da Sucata, Glória Menezes viveu Laurinha Figueroa, sua primeira grande vilã e um dos papéis mais lembrados da dramaturgia brasileira.

Laurinha Figueroa era uma socialite elegante e falida de uma família tradicional da elite paulista. Na trama, ela fazia oposição a Maria do Carmo (Regina Duarte), mulher que havia enriquecido com um ferro-velho e representava a ascensão dos novos-ricos.

Manipuladora e sem escrúpulos, Laurinha também era apaixonada pelo enteado Edu (Tony Ramos). O papel marcou uma mudança na carreira de Glória, que até então era mais associada a heroínas e personagens dramáticas.

A morte da personagem na novela também ficou marcada na história. Laurinha comete suicídio em uma tentativa de incriminar Maria do Carmo, e a cena teve tanta repercussão que chegou à primeira página de O Globo.

Vivian Berling - Jornada de um poema (2000)

De volta aos palcos, Glória Menezes se entregou ao papel de Vivian Berling, uma professora universitária que descobre um câncer terminal.

O texto brasileiro foi uma adaptação de Wit, peça da americana Margaret Edson que venceu o prêmio Pulitzer de teatro em 1999. Por aqui, a obra foi dirigida por Diogo Vilela, em sua estreia como diretor.

Em entrevista ao jornal O Globo em 2000, a atriz afirmou que protagonizar essa peça era uma "maratona física e emocional".

"Desde agosto, eu durmo, como e respiro Vivian Berling. Na faixa de idade em que estou, encontrar um personagem como este é um presente, porque ele é diferente de tudo o que eu já vi e vivi", disse a artista.

"O texto é um alerta a este mundo moderno, em que estamos tendo cada vez menos contato com as pessoas. É preciso estar diante do imponderável, como acontece com Vivian. É um câncer, mas poderia ser qualquer outra coisa que fizesse esta mulher refletir sobre a vida."

Na entrevista ao jornal, a atriz também expressou reflexões sobre a morte.

"A morte é algo em que a gente procura não pensar. É algo certo, mas que preferimos ignorar. Mas se a peça fala da morte, ela também fala da vida, de como é preciso viver bem antes de morrer."

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