Os mapas e gráficos que mostram o epicentro, a magnitude e o impacto do potente terremoto na Colômbia

 



O forte terremoto de magnitude 7,4 que sacudiu o oeste da Colômbia na segunda-feira (10/8) de manhã, hora local, deixou mais de 180 mortos, 2,5 mil feridos e graves danos materiais.

O epicentro do tremor ocorreu a uma profundidade de cerca de 107 km, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), no município de San José del Palmar, no Departamento colombiano de Chocó.

Mas o terremoto foi sentido em grande parte da Colômbia, além do Panamá, Venezuela e várias províncias do Equador, incluindo Pichincha, onde fica a capital equatoriana, Quito.

O novo presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, tomou posse menos de 72 horas antes do terremoto. Ele declarou estado de emergência no país e anunciou que, no momento, "a prioridade é resgatar as pessoas que estão sob os escombros".

Mapa da Colômbia, indicando a localização do município de San José del Palmar, local do epicentro, e várias cidades atingidas

O terremoto de 10 de agosto de 2026 foi o "mais forte da última década" no país, segundo o diretor-geral do Serviço Geológico Colombiano, Julio Fierro Morales.

Devido à sua localização na zona de interação das placas tectônicas de Nazca, do Caribe e Sul-Americana, a Colômbia é um dos países com maior atividade sísmica da América Latina e já foi o cenário de terremotos de grande magnitude.

A crosta rochosa da Terra "está partida em pedaços como um quebra-cabeça e esses pedaços se movem. O movimento entre os pedaços é o que gera os terremotos", explica o professor Germán Prieto, do Departamento de Geociências da Universidade Nacional da Colômbia.


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Mapa da Colômbia, mostrando a ampla região atingida pelo terremoto

O terremoto registrado na segunda-feira ocorreu porque a placa de Nazca, localizada no oceano Pacífico, deslizou por baixo da placa Sul-Americana em direção a leste, onde se encontra a Colômbia, segundo Prieto.

Gráfico que exibe as placas tectônicas que interagem na região da Colômbia

A zona de subducção da placa de Nazca (onde uma placa tectônica afunda e desliza sob a outra) avança sob o continente a uma velocidade de 55-60 milímetros por ano. Este movimento acumula pressão e energia que, em algum momento, é liberada na forma de terremotos.

Mapa mostrando as principais placas tectônicas do mundo

A Colômbia se encontra no chamado Cinturão de Fogo do Pacífico, uma extensa faixa que rodeia o oceano Pacífico e concentra a maior parte da atividade sísmica e vulcânica do mundo.

O cinturão vai do Chile e do Peru até a Colômbia, passando pela América Central, dali até o Canadá, o Alasca, a península russa de Kamchatka, o Japão e as ilhas Marianas, até terminar em Tonga e na Nova Zelândia.

"Todas estas regiões possuem vulcões ativos e terremotos", destaca Prieto.

Mapa que mostra o chamado Cinturão de Fogo do Pacífico, que concentra a maior parte da atividade sísmica do mundo

A Colômbia registra, em média, cerca de 2,5 mil terremotos por mês, ou cerca de 80 por dia.

A maioria deles tem baixa magnitude. Por isso, a população não percebe os tremores, que ficam registrados apenas nos relatórios técnicos, segundo o Serviço Geológico Colombiano.

Entre os maiores terremotos já registrados no país, está o de 31 de janeiro de 1906. Ele teve magnitude 8,8 e epicentro em frente ao litoral colombiano e equatoriano do oceano Pacífico. A enorme força liberada pelo tremor gerou um tsunami que atingiu boa parte da costa.

Outro terremoto importante foi o de 1979, com magnitude 8,1, em frente ao litoral de Nariño, no sudoeste da Colômbia.


Os terremotos são medidos utilizando diversas escalas, que avaliam sua magnitude e intensidade.

A magnitude reflete a energia liberada no epicentro. Já a intensidade descreve os efeitos observados na superfície terrestre.

A escala de magnitude do momento é logarítmica, não linear. Cada salto unitário equivale a uma liberação de energia cerca de 32 vezes maior.

Já a intensidade é a medida do abalo em cada local. Ela varia de um lugar para outro, dependendo principalmente da distância em relação à zona de ruptura da falha.

Gráfico explicando a escala de magnitude dos terremotos

Uma das torres da catedral do município de Manizales, capital do Departamento colombiano de Caldas, desabou durante o terremoto.

A catedral de Manizales é considerada um dos símbolos arquitetônicos da região. Ela foi construída entre 1928 e 1939.


Fonte BBC


Terremoto pressiona economia fragilizada da Colômbia e amplia desafio do novo presidente

Catástrofe que deixou centenas de mortos e desaparecidos mergulha país em nova era de incerteza, agora sob comando de Abelardo de la Espriella, líder populista que promete enfrentar violência armada e crise fiscal




Caos, desespero e devastação. Um dia após o terremoto de 7,4 graus na escala Richter que sacudiu o oeste da Colômbia, um novo tremor de 3,8 graus atingiu na manhã de terça-feira, 11 de agosto, a cidade de San José del Palmar, epicentro do tremor da véspera, ampliando os efeitos da pior tragédia a atingir o país vizinho em décadas.

Mais de 180 corpos foram resgatados dos escombros nas primeiras horas de terça. O número de feridos – pelo menos 1,3 mil – e de desaparecidos, contados às centenas, deve subir ao longo dos próximos dias.

Para o presidente Abelardo de la Espriella - um líder de extrema direita de forte apelo populista e sem experiência política, que havia assumido o cargo apenas três dias antes do primeiro tremor com a promessa de restaurar a ordem e fortalecer o Estado -, a tragédia representa um teste precoce de liderança, capacidade de articulação e eficiência administrativa.

Eleito após uma campanha polarizada, Espriella já enfrentava o desafio de governar um país profundamente dividido e sem maioria no Congresso – seu partido detém apenas 22 cadeiras na Câmara dos Deputados e 12 no Senado.

Ele venceu a eleição de junho por menos de um ponto percentual, derrotando o senador Iván Cepeda, membro do partido de esquerda Pacto Histórico, fundado e liderado pelo agora ex-presidente Gustavo Petro, que se recusou a aceitar o resultado eleitoral.

O novo presidente colombiano herdou uma economia com péssimos indicadores deixada pelo antecessor. O déficit fiscal é estimado entre 7% e 8% do PIB, acima dos níveis relatados pelo governo anterior. A dívida pública ultrapassou 60% do PIB e as agências Moody's e S&P rebaixaram a classificação de crédito do país para bem abaixo do grau de investimento.

Espriella fez campanha com uma plataforma que combinava uma agenda de segurança linha-dura, um Estado menor, ampliação da base tributária e forte retomada da exploração de petróleo, com o objetivo de dobrar a produção para 1,3 milhão de barris por dia.

A economia, porém, deverá demorar para se recuperar. Antes da posse do novo presidente, o Fundo Monetário Internacional projetava um crescimento real do PIB colombiano de 2,3% em 2026 e uma inflação média ao consumidor de 5,9%. Espriella prometeu fazer cortes fiscais, mas essa intenção deve ser deixada de lado após o terremoto.

Apesar de não ter experiência política anterior, o novo presidente colombiano é muito conhecido no país. Fundador do partido político Defensores da Pátria (DPP) há dois anos, Espriella – que tem nacionalidade americana e italiana e morou durante anos em Miami – ficou famoso como advogado criminalista polêmico, cujos clientes incluíam acusados de tráfico de drogas que enfrentavam extradição, líderes paramilitares e empresários acusados de lavagem de dinheiro.

Mesmo assim, durante a campanha, no melhor estilo populista, Espriella prometeu atacar a violência que castiga a Colômbia há décadas – com profusão de grupos armados guerrilheiros de esquerda e de paramilitares de direita, ambos lutando pelo controle do tráfico de cocaína e pelo aumento da mineração ilegal de ouro e outros minerais – como sua prioridade número um.

Anunciou uma campanha militar para retomar todo o território do país “das mãos dos bandidos” em três meses. Também se comprometeu a construir dez megaprisões para combater a criminalidade semelhantes às erguidas por outro ídolo da extrema direita latino-americana, o presidente Nayib Bukele, de El Salvador.

De quebra, disse estudar pela saída da Colômbia da ONU, da Organização dos Estados Americanos e da Corte Interamericana de Direitos Humanos, instituições que, segundo ele, representam um entrave para o desenvolvimento do país.

Chocó, região atingida pelo terremoto perto da vila de San José del Palmar, virou espécie de símbolo do desafio de Espriella: tornou-se nos últimos anos um ponto crítico de confrontos entre dois dos grupos armados mais poderosos da Colômbia - o Exército de Libertação Nacional (ELN), um grupo rebelde com décadas de existência e raízes de esquerda, e o Clã do Golfo, com ligações paramilitares de direita.

Em seu discurso de posse, o novo presidente deixou claro que a opção de negociação com esses grupos armados havia sido "completamente esgotada". Por isso, Espriella aposta na promessa do colega americano Donald Trump de acelerar a cooperação militar, como parte de seu esforço regional para combater os cartéis.

O Departamento de Estado anunciou no mesmo dia que ofereceria à Colômbia US$ 1 bilhão em assistência como parte de uma “nova era nas relações bilaterais”. Mas o primeiro lote de ajuda, de US$ 79 milhões, será destinado para ajuda humanitária e reconstrução das áreas atingidas pelo terremoto.

O presidente colombiano, porém, manteve sua promessa: mesmo com o país às voltas com a busca de sobreviventes, o Exército bombardeou na madrugada de terça, 11, uma base do ELN na região de Santander, no nordeste colombiano, próxima da fronteira com a Venezuela.

Emergência nacional

A região atingida pelo terremoto inclui três grandes cidades colombianas — Cali, Pereira e Manizales —, o que explica o elevado número de prédios reduzidos a escombros (mais de 150), além de danos generalizados, que atingiram 5 mil residências, dezenas de hospitais e pelo menos 50 escolas em cidades e vilarejos. O tremor foi sentido também em Medellín, segunda cidade do país, na capital, Bogotá, e até em Manaus, no Brasil.

Depois de decretar estado de emergência nacional, o Espriella decidiu coordenar pessoalmente a força-tarefa encarregada dos trabalhos para a busca de sobreviventes, visitando várias cidades atingidas.

Dirigindo-se às pessoas nas áreas mais afetadas - ao redor do epicentro, no estado de Chocó, na região ao longo da costa do Pacífico que abriga uma grande população afro-colombiana e comunidades indígenas conhecida como Eixo Cafeeiro — , Espriella disse: "Vocês não estão sozinhos".

Em Cali - terceira maior cidade colombiana, com 2,4 milhões de habitantes - o impacto foi devastador: 95 mortos, centenas de feridos e ao menos 30 estruturas colapsadas, muitas ainda com vítimas sob os escombros. Hospitais atingiram a capacidade máxima, com unidades parcialmente destruídas e pacientes sendo transferidos para tendas improvisadas. Saques foram registrados na madrugada.

Outra grande cidade, Pereira - de 800 mil habitantes e situada no coração do Eixo Cafeeiro -, onde foram registradas mais de 70 mortes, o aeroporto e uma catedral ficaram seriamente danificados.

Já Manizales, com população de 400 mil pessoas, embora o número de vítimas seja menor, a destruição foi significativa: cinco mortes foram confirmadas, além de danos estruturais em diversas edificações. A cidade enfrenta dificuldades de acesso e interrupções em serviços essenciais.

Mas o desafio do novo presidente vai além da resposta imediata. A tragédia expõe fragilidades históricas da infraestrutura urbana colombiana, especialmente em regiões densamente povoadas e com forte presença de grupos armados ligados ao narcotráfico.



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