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Senador Cleitinho, do Republicanos, não vai ser candidato ao governo de MG

 



Cleitinho Azevedo, que estava cotado como o candidato de Flávio Bolsonaro em Minas Gerais, não irá mais disputar as eleições ao cargo de governador no estado. Por mais que ele ainda siga como senador eleito pelo eleitorado mineiro, a movimentação representa uma “perda de um palanque de alto potencial” à candidatura de Flávio à Presidência da República. É o que afirma o cientista político Fabio Andrade em entrevista ao Noticia sem censura. No caso, Minas Gerais é um estado estratégico para as eleições, sendo o segundo maior colégio eleitoral do país e historicamente decisivo nas disputas presidenciais. 


Era esperado pelo Partido Liberal que Cleitinho encabeçasse o palanque de Flávio junto ao eleitorado mineiro. Sem sua presença como candidato nas eleições, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro perde um forte porta-voz no estado. São Paulo segue como o maior colégio eleitoral do país, com 34.104.226 eleitores e eleitoras (21,48% do total nacional). Em seguida aparecem Minas, com 16.377.659 pessoas aptas a votar (10,32%).


Além disso, há dois fatores que representam perdas em Minas, aponta Fabio Andrade. O primeiro ponto é que o apoio de Cleitinho a Flávio era pessoal, e que ele não é do Partido Liberal (PL). Nisso, seu partido, o Republicanos, não apoiou formalmente, até o momento, a candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.


No último sábado, 1º, na Convenção Partidária Estadual do Republicanos em São Paulo, onde foi oficializada a candidatura de Tarcísio, o presidente da legenda, Marcos Pereira, afirmou que Flávio Bolsonaro, que também estava no evento, é seu candidato ao Planalto “em São Paulo”. 


Já o segundo fator, como explica, é que o eleitor mineiro tem um histórico de não fechar chapas por sangue ou fazer uma correlação perfeita de “voto governador, voto presidente”. “A única combinação que a gente teve, 100%, foi Fernando Pimentel e Dilma [ambos do PT]. Mesmo quando Romeu Zema se elegeu, ele era do Partido Novo, e não do candidato Bolsonaro”.


“Minas é um potencial palanque poderoso. A candidatura de Flávio Bolsonaro ainda é muito forte. Não dá para descartar o peso de uma candidatura que, em [pesquisa eleitoral] espontânea, registra, na pior das hipóteses, 20% e, em cenários mais otimistas, 27%, 28%. Mas é preocupante porque há uma dependência grande da candidatura do Flávio de apoios um tanto quanto regionais”, aponta.


No caso de São Paulo, por exemplo, ele avalia que Flávio vai depender muito de Tarcísio de Freitas, o candidato do Republicanos à reeleição ao governo paulista.


“O Tarcísio não está mais independente, mas ele construiu uma candidatura e campanha que hoje alça voo próprio. E esse palanque que seria do Cleitinho se arrefece em Minas e pode criar problemas para a candidatura do Flávio”, aponta o especialista, citando, sobretudo, a figura do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), que tem boa relação histórica com Lula.


Cleitinho hora ao anunciar decisão: 'Não estou bem'

O anúncio da desistência de Cleitinho ao governo mineiro se deu após reunião em Brasília com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, e o presidente estadual do partido em Minas Gerais, Euclydes Pettersen. Em vídeo publicado nesta segunda-feira, 3, pelo Republicanos, Cleitinho Azevedo confirmou que não será candidato por conta do momento de luto familiar que enfrenta.


No registro, Marcos Pereira fala diretamente com o povo mineiro e explica que a candidatura do senador Cleitinho Azevedo tem sido discutida há muito tempo dentro do partido. "Vai e vem, vai e vem, tomamos a decisão semana passada decorrente de algumas condicionantes que foram dadas a Clientinho", começa.


"Compreendemos, Cleitinho, você sabe disso, você tem toda a minha solidariedade ao falecimento do seu irmão...", continua o presidente do Republicanos. Matheus Azevedo, irmão mais novo do senador, morreu no último dia 18, em Divinópolis (MG), enquanto estava em tratamento contra leucemia.


"Agora, o Cleitinho não compareceu na convenção [partidária do Republicanos]. Eu pedi para que ele fosse a São Paulo para gravar comigo falando que ele era candidato... Nós demos a oportunidade até terça-feira a noite. Não foi possível o comparecimento muito por conta desse momento de luto e dor que ele está passando", narra os acontecimentos ao lado do senador.


Agora, reunidos em Brasília, Marcos diz que Cleitinho tomou uma decisão espontânea diante do momento que está vivendo. "Quero deixar claro, quero que você confie nisso, que o partido Republicanos deu toda a oportunidade para que pudesse ser candidato. Mas ele [Cleitinho] tem uma decisão pessoal", complementou.


Nesse momento, Cleitinho se emociona e chora ao anunciar sua desistência à corrida eleitoral.


"Quero perdir perdão, porque o momento não está fácil pra mim e pra minha família. Não adianta eu entrar na campanha agora do jeito que eu tô. Como vou querer cuidar de vocês se eu preciso cuidar de mim, da minha família. Tenho que ser honesto com vocês", disse, chorando. "Meu momento hoje não está bem", complementou.


O presidente estadual do partido em Minas Gerais, Euclydes Pettersen, afirmou que o que prevalece é a vontade de Deus e que a decisão de Cleitinho será respeitada. "Às vezes não é o momento", afirmou, também emocionado com a situação.


Ao Terra, o partido já havia confirmado na última quarta-feira, 29, que ele não seria candidato. O anúncio aconteceu em cenário no qual Cleitinho liderava as pesquisas de intenção de voto para o governo de Minas Gerais. Cleitinho segue seu mandato no Senado Federal.


Senador Cleitinho Azevedo chora ao anunciar que não será candidato a governador de Minas


O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) anunciou nesta segunda-feira, 3, que desistiu de se candidatar a governador de Minas Gerais. A decisão foi tomada após uma reunião com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, em Brasília. O senador chegou a chorar ao anunciar a decisão (veja no vídeo acima).

“Vou me dirigir ao povo mineiro, pedir perdão, porque o momento não está fácil para mim e para minha família. Não adianta eu entrar numa campanha agora do jeito que eu estou. Não adianta eu querer cuidar de vocês se não estou cuidando de mim”, disse Cleitinho, em um vídeo publicado pelo Republicanos nas redes sociais.

Matheus Azevedo, o irmão mais novo do senador, morreu em 18 de julho deste ano. Ele estava em tratamento contra leucemia.

Na gravação, o senador afirma que tinha o respaldo do partido para se candidatar, e que Marcos Pereira esperou “o tempo que precisava esperar” para definir se ele seria candidato. “Mas meu momento hoje, não estou bem, eu preciso me recuperar”, declarou.

Com a desistência, a bola da vez na direita mineira passa a ser o ex-secretário da Casa Civil do governo Romeu Zema (Novo), Marcelo Aro (PP). Antes candidato ao Senado na chapa do atual governador, Mateus Simões (PSD), Aro rompeu com o grupo de Zema para articular a própria candidatura ao Executivo.



Aro trabalha para conseguir o apoio do PL e do próprio Republicanos e se tornar o palanque do senador Flávio Bolsonaro (PL) no Estado.

Dirigentes do PL em Minas viam Cleitinho como a melhor opção para Flávio, mas afirmam que Aro, embora largue com menos votos do que o senador, pode contribuir por ter um grupo político com mais capilaridade e estrutura no Estado. A dúvida, contudo, é o quanto Aro trabalhará a dobradinha com o senador em sua eventual campanha.

O ex-secretário de Zema foi integrante da “tropa de choque” de Eduardo Cunha (Republicanos) durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff entre 2015 e 2016.

Desde então, acumulou poder em Minas Gerais, formando uma bancada de deputados, prefeitos e vereadores leais a ele. Ele também se dedicou à defesa das pessoas com doenças raras. Uma das filhas de Aro foi diagnosticada com Síndrome de Cornélia de Lange.

Presidente do PL em Minas Gerais, o deputado federal Zé Vitor disse que irá se reunir na terça-feira com Valdemar Costa Neto, que comanda a sigla a nível nacional. “Vamos nos reunir e ainda não tem nenhuma decisão tomada [sobre o que o PL irá fazer]. Não temos plano de gaveta”, disse ele.

No vídeo divulgado pelo Republicanos, Marcos Pereira expressou solidariedade ao momento vivido pela família do senador e disse que a desistência foi uma “decisão espontânea” de Cleitinho.

“O Cleitinho não compareceu à convenção [que lhe confirmaria como candidato]. Eu pedi que ele fosse a São Paulo gravar comigo dizendo que era candidato. Demos oportunidade até terça-feira à noite. Não foi possível o comparecimento, muito por conta desse momento de luto e de dor que ele está passando”, disse o presidente do Republicanos.

Cleitinho liderava as pesquisas de intenção de votos ao Palácio Tiradentes, mas adiou repetidas vezes a decisão de disputar o cargo. Diante da indefinição, o Republicanos divulgou um comunicado na última quarta-feira, 29, vetando a candidatura do senador e afirmando que o “partido esteve pronto”, mas que a candidatura “nunca foi formalmente assumida por quem deveria liderá-la”.

Também na quarta-feira, Cleitinho convocou uma coletiva de imprensa em Divinópolis (MG), sua cidade natal, na qual afirmou que queria ser candidato e que tentaria convencer Marcos Pereira a mudar de ideia.

No dia seguinte, o senador e o ex-prefeito de Patos de Minas (MG), Luís Eduardo Falcão (Republicanos), se reuniram por mais de cinco horas com Pereira em São José dos Campos (SP).

A novela persistiu e no final de semana Pereira disse ao Estadão que poderia permitir a candidatura de Cleitinho diante da ameaça de desistência de candidatos a deputado federal e estadual, que queriam Cleitinho como candidato. A reunião derradeira ocorreu nesta segunda-feira, consumando a desistência do senador.


Eleito em 2022, Cleitinho tem mandato no Senado até 2030. Ele entrou na política em 2016, se elegendo vereador de Divinópolis. Dois anos depois, foi eleito deputado estadual. Cumpriu o primeiro mandato e se candidatou a senador com o apoio do então presidente Jair Bolsonaro (PL).

No processo, foi o principal puxador de votos da candidatura de dois outros irmãos. Eduardo Azevedo (Republicanos), atualmente deputado estadual, e Gleidson Azevedo, que governou Divinópolis por dois mandatos e se desincompatibilizou da prefeitura para disputar a eleição deste ano.

Em Minas Gerais, Gleidson é cotado para ser candidato a senador na chapa do candidato a governador que Cleitinho decidir apoiar.

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