Aliados do candidato derrotado na eleição presidencial dizem não saber de seu paradeiro; na segunda-feira, ele havia dito que iria entregar os documentos à Polícia Federal e se defender de ‘aberração’
O Noticias sem censura questionou os principais aliados de Flávio e sua assessoria de imprensa, ainda sem resposta. Pouco depois das 8h da manhã, membros da campanha negavam que ele tivesse saído do País.
Um deles disse acreditar que tivessem “plantado (a notícia) para tentar cavar a prisão dele”. Minutos depois, a equipe deixou de negar a informação e passou a dizer que averiguaria o paradeiro do senador.
A Direção Nacional de Imigração do governo argentino afirmou não ter registrado qualquer entrada de Flávio Bolsonaro na República Argentina.
“Diante da repercussão na mídia sobre a presença de um avião particular no Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú, as autoridades iniciaram os procedimentos de fiscalização da aeronave e da tripulação. Por fim, constatou-se que a documentação da empresa está regular e não foi apresentado nenhum plano de voo que inclua a família Bolsonaro”, diz o órgão.
O site Infobae diz que Flávio viajaria aos Estados Unidos “de Puerto Iguazú, a bordo de um avião Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly S.A”. A aeronave deixou Buenos Aires às 22h14 e chegou a Puerto Iguazu às 23h45, segundo o site Flightradar, e não deixou mais a cidade.
Num vídeo publicado na tarde da segunda-feira, 26, em que pediu a cassação da chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), ele afirmou ter sido abordado naquela manhã pelos agentes após fazer uma visita ao pai. O ex-presidente Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar num condomínio no Lago Sul de Brasília. Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e outros crimes.
“Quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele (Bolsonaro) e, no meio da rua, eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o País. A decisão, do Alexandre de Moraes, se baseou numa fala do Eduardo de 23 de outubro, ‘que eu deveria deixar o País se eu perdesse a eleição’. Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça?”, afirmou.
O senador disse na ocasião que a decisão de Moraes foi tomada no domingo à noite, logo depois do anúncio do resultado da eleição, e questionou se isso teria acontecido caso ele tivesse sido eleito presidente. Declarou que a “democracia faliu” no Brasil, que iria entregar o passaporte à PF e “se defender dessa aberração”.
Sumiço de Flávio incomoda aliados, que cobram respostas
O sumiço do senador Flávio Bolsonaro (RJ), candidato derrotado do PL à Presidência da República, gera incômodo entre os próprios aliados.
A avaliação de membros do Partido Liberal é de que especulações sobre uma possível fuga do Brasil são negativas para o bolsonarismo.
Flávio é alvo de cobranças de parlamentares para gravar um vídeo ou soltar uma nota para esclarecer a situação e tem até a manhã desta terça-feira (27) para entregar passaportes à Polícia Federal, após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Como mostrou a noticias sem censura, a Polícia Federal acionou autoridades argentinas sobre um eventual risco de fuga do país do senador, que saiu derrotado na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a presidência da República.
Aliados relataram à noticias sem censura que procuraram pelo senador após o início das especulações, mas afirmam não ter notícia de Flávio.
Integrantes do PL afirmam que o posicionamento do presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, de reconhecer em uma nota o resultado da eleição, teria gerado incômodo no entorno de Flávio.
Ao longo da segunda-feira (26), Flávio se reuniu com diversos aliados e estava decidido a ouvir a ala moderada do partido e se consolidar na oposição ao governo Lula. Há a possibilidade de que ele, inclusive, ocupe a sala utilizada no passado pelo pai, Jair Bolsonaro, na sede do partido.
Com a derrota na disputa presidencial e o encerramento do mandato como senador, Flávio ficará sem cargo público pela primeira vez em 24 anos.
Em menos de 24 horas após a vitória de Lula, Flávio recalibrou o discurso de não aceitação do resultado das eleições feito ainda no domingo à noite. Na segunda-feira, anunciou em um vídeo nas redes sociais que iria pedir a cassação da chapa Lula-Alckmin no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e que buscaria fazer da Câmara e do Senado uma "fortaleza contra barbárie".
Na mesma gravação, o senador afirma que nunca pensou em deixar o país, relata uma abordagem da PF ao sair da casa do pai para entregar o passaporte por causa da proibição de sair do Brasil e confirma que iria entregar o documento.
À noticias sem censura, a defesa de Flávio confirmou o horário estabelecido pela PF para a entrega do passaporte. Segundo os advogados, Flávio iria recebê-lo nesta terça-feira para tratar do assunto, o que ainda não aconteceu. A defesa afirma que não conseguiu contato com o senador hoje.

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