Cheio de Ódio era apontado como líder do tráfico na comunidade Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro
Três homens foram presos. A identidade dos detidos não foi divulgada. Policiais civis da Delegacia de Homicídios da Capital e da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais) realizaram hoje uma operação contra criminosos envolvidos no latrocínio do agente da Core, João Pedro Marquini.
Os agentes foram atacados e houve confronto, segundo a polícia. "A reação da polícia vai depender da ação do criminoso. Se eles não reagirem, não haverá confronto e as forças policiais irão cumprir os mandados. Caso haja reação, é uma opção deles e iremos responder na mesma altura", explicou o secretário de estado de Polícia Civil, delegado Felipe Curi.
Buscas para identificar criminosos que mataram policial. As investigações apontaram que o veículo usado em um ataque no Cesarão, em Santa Cruz, pouco antes do episódio que envolveu o policial e sua esposa, pertencia ao traficante "Cheio de Ódio". O agente da Core e sua esposa retornavam da casa da mãe dele, em Campo Grande, quando foram abordados por criminosos armados em uma tentativa de assalto. O policial foi baleado e morreu no local.
"A Polícia Civil realizou diligências para identificar os envolvidos nesse crime desta da data do fato. Testemunhas foram ouvidas, imagens de câmeras de segurança e cruzamento de dados de inteligência possibilitaram chegar na identificação dos autores. As investigações continuam para capturar os demais envolvidos e desarticular o grupo criminoso responsável pela execução do policial", disse a PCERJ.
João Pedro Marquini foi morto a tiros na Grota Funda. Ele e Tula, do Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, estavam em carros separados. Ela seguia em seu carro particular blindado e o agente vinha logo atrás, sozinho. Na altura do Túnel da Grota Funda, criminosos atacaram.
Juíza não se feriu. O carro dela foi atingido por disparos, mas os tiros não perfuraram o automóvel. Após o crime, os suspeitos fugiram para a comunidade Cesar Maia, em Vargem Pequena. O local é controlado pelo Comando Vermelho. A polícia fez uma operação no mesmo dia do crime e encontrou o carro, modelo Tiggo, usado pelos criminosos.
Tula ponderou que se não fosse a ação do marido, poderia estar morta. "Eu posso afirmar com certeza que, se não fosse a ação do João saindo do carro para desviar o foco dos criminosos, eles conseguiriam fazer com que os disparos de fuzil ultrapassassem a blindagem do meu carro. Ele não reagiu, ele agiu para me salvar, ele deu a vida para me salvar", declarou em entrevista ao Fantástico, da TV Globo.
Ela contou que usou técnicas de defesa recebidas do Tribunal de Justiça do Rio e do marido para conseguir escapar. "Ele me treinou para que eu pudesse usar na prática estes mecanismos de defesa".
A magistrada também afirmou querer justiça pela morte do marido. "Será que não estão vendo que a violência está banalizada e ninguém está fazendo nada? Estamos em um ponto que se tem algo pior que isso, nunca vi. O João costumava dizer que as coisas só melhorariam quando as autoridades passassem a ser afetadas pela violência. Eu não imaginei que eu fosse ser justamente a autoridade para que alguém pudesse fazer algo concreto. Não vou sentar ali como vítima, vou agir, fazer o que for necessário para que seja dada a punição e para que a gente consiga uma cidade onde nós possamos circular livremente".
O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital. Ainda não há informações detalhadas do que teria motivado o ataque
João Pedro e Tula estavam casados desde fevereiro de 2024. Nas redes sociais, ela postava fotos do casal em viagens por diferentes países.

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