Ataque do Irã atinge maior polo de gás do mundo no Catar e depósito de combustível na Arábia Saudita
Em ataques de retaliação aos bombardeios realizados por Estados Unidos e Israel contra instalações energéticas em solo iraniano, o regime do Irã lançou nesta quarta-feira (18) mísseis contra infraestruturas de energia no Catar e na Arábia Saudita, atingindo o complexo industrial de Ras Laffan, em Doha, considerado o principal polo de gás natural liquefeito do mundo (GNL), e um depósito de combustível na região saudita de Al-Kharj.
Segundo comunicado da estatal QatarEnergy, a Ras Laffan Industrial City foi alvo direto de ataques com mísseis, que provocaram incêndios e danos extensos nas instalações. A empresa informou que equipes de emergência foram mobilizadas imediatamente e que não há registro de vítimas até o momento.
De acordo com o Ministério do Interior do Catar, o incêndio causado pelo impacto foi controlado pelas equipes de Defesa Civil, enquanto a chancelaria do país classificou o ataque como uma “flagrante violação da soberania” e uma ameaça direta à segurança nacional.
Na Arábia Saudita, agências de notícias ligadas à Guarda Revolucionária iraniana afirmaram que um ataque atingiu um depósito de combustível usado para abastecer aeronaves militares na região de Al-Kharj, onde fica uma importante base aérea. Autoridades americanas informaram posteriormente que drones foram interceptados na região durante a ofensiva.
Os ataques ocorreram poucas horas depois de bombardeios realizados por Israel e pelos Estados Unidos contra instalações de gás no sul do Irã, incluindo estruturas do campo de South Pars, uma das maiores reservas de gás do mundo e compartilhada com o Catar.
Antes da ofensiva, a mídia estatal iraniana havia divulgado alertas de evacuação para instalações energéticas em países do Golfo, indicando que refinarias, campos de gás e centros industriais poderiam ser atingidos nas horas seguintes.
Analistas avaliam que a escalada aumenta o risco de uma crise global no mercado de petróleo e gás, já pressionado pela guerra no Oriente Médio e pelas restrições ao transporte no Estreito de Ormuz, rota por onde passa 20% do petróleo comercializado no mundo.
Ataque a campos de gás do Irã é ponto de virada na guerra, diz especialista
Os ataques lançados contra os campos de gás do Irã podem desencadear uma "severa retaliação iraniana" e "causar ondas de choque nos mercados globais de energia", disse um especialista à Noticias sem censura, nesta quarta-feira (18).
As agências de notícias semioficiais iranianas Fars e Tasnim informaram nesta quarta-feira que algumas instalações importantes pertencentes à indústria de petróleo e gás natural do país, incluindo refinarias, foram atingidas em ataques conjuntos dos EUA e de Israel, e que os serviços de emergência estavam trabalhando para conter os incêndios.
Uma autoridade americana negou à Noticias sem censura que o país tenha realizando o ataque, afirmando, em vez disso, que a ação foi realizada por Israel.
“Essa escalada já levou o Irã a ameaçar atacar instalações energéticas em toda a região, contribuindo para um aumento acentuado nos preços do petróleo”, disse Danny Citrinowicz, pesquisador sênior do Programa Irã e o Eixo Xiita do Instituto de Estudos de Segurança Nacional em Tel Aviv, Israel.
Citrinowicz descreveu os ataques relatados como um "claro ponto de virada", acrescentando que a medida pode sinalizar uma mudança no pensamento do presidente dos EUA, Donald Trump.
“Essa mudança é significativa”, disse o especialista.
“O presidente Trump parecia relutante em prejudicar ativos cruciais para a futura recuperação do Irã. No entanto, essa medida – apesar de seu provável impacto nos preços globais do petróleo e do gás – sugere uma reavaliação”, completou.


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