O conflito entre Estados Unidos e Irã está se aproximando de uma escala global, com sérias implicações para a economia e segurança internacional, analisou o professor Fauzi Hassan Choukr, especialista em direito internacional, .
O especialista destacou a ausência de política internacional como fator determinante para a escalada das tensões. "Nós temos a maior carência possível neste momento do principal ingrediente que poderia causar ao menos uma pausa, que é a política internacional", afirmou.
Segundo o Hassan, nos últimos 12 meses houve uma perda completa da política e do direito internacional como vetores de atuação de países isoladamente e da comunidade internacional como um todo. Para ele, é isso que faz com que o conflito tenha uma escala mundial.
O especialista ressaltou que não se trata apenas de um ato de voluntarismo do Irã para que haja o retorno a um diálogo civilizatório. Todas as partes envolvidas no conflito, tanto ativas quanto passivas, precisariam demonstrar predisposição política para um cessar-fogo, algo que não parece provável nas próximas semanas.
Sobre o assassinato do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, o professor observou que, o ataque pode ter fortalecido a coesão nacional iraniana. Segundo ele: "O povo tem restrições ao regime atual, mas a morte do líder conseguiu dar elementos de coesão como forma de repúdio a um ataque estrangeiro." Ressaltou.
Trump diz que é “tarde demais” para negociar com o Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), afirmou nesta 3ª feira (3.mar.2026) que é “tarde demais” para negociar com o Irã. Trump afirmou que o governo iraniano teria demonstrado interesse em retomar conversas sobre o acordo nuclear, mas, segundo ele, o momento já teria passado.
“A defesa aérea, a Força Aérea, a Marinha e a liderança deles acabaram. Eles querem conversar. Eu disse: ‘Tarde demais!'”, escreveu Trump na rede Truth Social.

A declaração foi feita no 4º dia da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O conflito começou no sábado (28.fev), após bombardeios em Teerã que mataram o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e integrantes do alto escalão militar e do governo do país.
Irã sinaliza ceticismo
Apesar da fala de Trump, representantes iranianos também indicaram resistência a negociações. O embaixador do Irã na ONU em Genebra, Ali Bahraini, afirmou que Teerã está “muito cético quanto à utilidade de negociações” neste momento.
Nos últimos dias, Trump tem defendido a ofensiva militar e disse que a maior onda de ataques dos EUA ainda pode ocorrer. O presidente afirmou que o conflito pode durar de 4 a 5 semanas.
Mais cedo nesta 3ª feira, Trump declarou que os EUA “não estão onde gostariam” em relação a armamentos de ponta, mas disse que o país possui estoques “praticamente ilimitados” de armas de médio e médio-alto alcance.
Escalada do conflito
Desde o início dos ataques, 787 pessoas morreram no Irã, segundo a organização humanitária Crescente Vermelho iraniana.
Em resposta aos bombardeios, o Irã disparou mísseis contra Israel e contra bases militares norte-americanas no Oriente Médio. A troca de ataques continua com bombardeios diários.
Os EUA informaram que 6 militares norte-americanos morreram desde o início do conflito. Trump prometeu retaliar.
“Infelizmente, haverá mais mortes antes que isso acabe. Mas os Estados Unidos vão vingar seus mortos”, declarou o presidente no domingo (1º.mar).


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