Ex-deputado foi detido em Orlando na segunda-feira, mas teve a soltura determinada dois dias depois
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi às redes sociais nesta quinta-feira para agradecer ao governo de Donald Trump pela soltura da prisão e para afirmar que sua situação no país esta regularizada.
“Não houve nem pagamento de fiança, que é comum nesses casos migratórios”, afirmou Ramagem, acrescentando que a liberação dele foi administrativa, sem que fosse realizado um pleito ou procedimento judicial.
Detido na segunda-feira em Orlando pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas, conhecido como ICE, por questões migratórias, o bolsonarista foi liberado dois dias depois.
O ex-titular da Abin destacou que foi preso por uma questão migratória e pontuou que entrou nos Estados Unidos com todos os documentos válidos. “Eu entrei nos Estados Unidos, em setembro do ano passado, de forma perfeitamente regular, passaporte válido, visto válido, sem condenação nenhuma. Em seguida entramos com o pedido de asilo […] Nós cumprimos os requisitos, estamos dentro de todos os procedimentos e fases, o que nos confere o status de permanência regular nos Estados Unidos”.
No ano passado, Ramagem deixou o Brasil, de forma clandestina, dias antes de ser condenado pelo STF a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele teria cruzado a fronteira de Roraima com a Guiana e, depois, seguiu para os Estados Unidos.
Após o caso Ramagem, ‘missão’ do Senado vai aos EUA para acompanhar situação de detidos
A Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou nesta quinta-feira 16 o envio de uma missão oficial aos Estados Unidos para acompanhar a situação de brasileiros detidos no país. A comitiva deve visitar Orlando, na Flórida, e Washington, D.C., com o objetivo de “verificar a assistência consular” e o “cumprimento de acordos internacionais”.
O requerimento, apresentado pelo senador bolsonarista Jorge Seif (PL-SC), estabelece que os senadores poderão inspecionar as condições de custódia, acompanhar eventuais processos de extradição e realizar reuniões com autoridades norte-americanas, representantes diplomáticos brasileiros e organismos de direitos humanos.
Embora o texto mencione de forma geral a situação de brasileiros sob custódia no exterior, a iniciativa foi impulsionada pelo episódio envolvendo o ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), que fugiu do Brasil após condenação por tentativa de golpe de Estado, foi detido por autoridades migratórias dos EUA e posteriormente liberado.
Na justificativa, Seif alega que a presença in loco permitirá verificar o respeito às garantias fundamentais e reforçar o diálogo entre os países. Nos bastidores, no entanto, o caso Ramagem concentra os esforços da comitiva, incluindo a interlocução com autoridades americanas sobre sua situação migratória.
O senador também mencionou a atuação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos Estados Unidos, como parte da articulação.
A reunião que aprovou o requerimento foi presidida pelo senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que declarou haver uma “situação complicada” envolvendo brasileiros nos EUA e classificou Ramagem como perseguido político.
A iniciativa foi criticada pelo PT. Em nota, o partido afirmou que os congressistas da oposição articulam uma viagem com recursos públicos para prestar apoio a um “condenado e foragido da Justiça brasileira”. A legenda também questionou a condução da reunião, realizada fora do horário regimental e com baixa participação.
A missão ainda não tem data definida nem número de integrantes confirmados e deverá ser submetida ao plenário do Senado antes de ser executada
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