O presidente americano Donald Trump anunciou neste sábado (25/4) o cancelamento da ida de seus enviados especiais ao Paquistão para as negociaçōes com o Irã.
Trump postou na sua rede social Truth Social que ordenou a suspensão da viagem dos representantes Jared Kushner e Steve Witkoff afirmando que era "tempo demais desperdiçado em viagem, trabalho demais".
"Além disso, há uma tremenda luta interna e confusão dentro da 'liderança' deles [iranianos]. Ninguém sabe quem é que manda, incluindo eles", escreveu o presidente americano.
Na sexta-feira (24/4), depois de uma semana de especulação, a Casa Branca havia confirmado que Kushner e Witkoff chegariam no sábado ao Paquistão, que vem atuando como mediador no conflito. Os paquistaneses chegaram a interditar partes da capital Islamabad para o encontro entre as duas partes.
Na segunda, Trump disse à BBC que o governo do Irã está "louco para fazer um acordo" para encerrar definitivamente o conflito entre os dois países - atualmente em cessar-fogo. "Seja lá o que eu estiver fazendo, parece estar funcionando muito bem", disse o líder americano ao ser questionado sobre suas ameaças ao Irã.
O repórter Joe Inwood afirmou que o principal entrave nas negociaçōes continua sendo a reabertura do Estreito de Ormuz, que segue bloqueado parcialmente pelas duas partes no conflito.
O ministro das Relaçōes Exteriores do Irã Abbas Araghchi esteve em Islamabad onde se encontrou com representantes paquistaneses e afirmou que "ainda é preciso ver se os Estados Unidos são realmente sérios sobre a diplomacia".
O parlamentar iraniano Mahmoud Nabavian ameaçou os países da região com ações destrutivas caso os EUA ataquem novamente. Nabavian é um parlamentar de linha dura que fez parte da delegação do Irã na primeira rodada de conversas em Islamabad.
"Movimentações regionais indicam a nova loucura do regime maligno americano", escreve ele no X.
"Os líderes dos países da região precisan saber que, desta vez, a resposta esmagadora do Irã levará à cessação completa da produção regional de petróleo, à destruição de toda a infraestrutura e ao deslocamento e a tornar seu povo ao status de refugiado", acrescenta.
Neste sábado, Trump era esperado para um evento de criptomoedas em Mar-a-Lago, onde seria um dos oradores.
A Agência Nacional de Notícias estatal do Líbano afirma que quatro pessoas foram mortas no sábado em ataques israelenses no sul do país.
O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou que as Forças de Defesa de Israel (IDF) "ataquem vigorosamente alvos do Hezbollah no Líbano", disse em um comunicado.
No sábado, as forças militares emitiram uma série de comunicados no Telegram acusando o Hezbollah de violar um cessar-fogo acordado entre Israel e o Líbano. Tanto Israel quanto o Hezbollah têm acusado um ao outro de violar a suspensão dos ataques.
Por que os EUA estão bloqueando o Estreito de Ormuz
Desde que o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz em 2 de março, logo após os primeiros ataques de Israel e dos Estados Unidos, a rota se tornou um dos epicentros da atual guerra no Oriente Médio.
Hoje, cerca de 20% de todo o petróleo consumido no planeta passa pelo estreito — não apenas do Irã, mas também de países do Golfo, como Iraque, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Quase 90% desse volume segue para a Ásia, com a China recebendo cerca de 38%, seguida por Índia, Coreia do Sul e Japão.
Mesmo sem um bloqueio total, o fluxo de navios caiu drasticamente desde o início do conflito, e o impacto já é sentido nos preços do petróleo em todo o mundo.
O Irã atacou mais de uma dezena de embarcações que tentaram atravessar o estreito, enquanto os Estados Unidos passaram a pressionar aliados europeus a apoiar esforços para reabrir a rota.
Em 10 de março, os EUA afirmaram ter atingido 16 embarcações iranianas que estariam instalando minas na região, no que classificaram como a "onda mais intensa" de ataques até então. Dois dias depois, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Majid Takht-Ravanchi, negou a acusação.
Após o cessar-fogo entre EUA e Irã, em 8 de abril, o Irã reabriu a via marítima, mas alertou navios a seguir rotas específicas sob risco de atingir minas. Até o momento, não há relatos de embarcações danificadas por esse tipo de artefato desde o início da guerra.
Em 12 de abril, Trump afirmou que os EUA usariam o cessar-fogo para continuar removendo minas do estreito e disse ter instruído a Marinha a "procurar e interceptar toda embarcação em águas internacionais que tenha pago pedágio ao Irã".
"Ninguém que pague um pedágio ilegal terá passagem segura em alto-mar", afirmou à época.
Trump anunciou o bloqueio naval após a primeira rodada de negociações, no início do mês, terminar sem acordo. Questões-chave, como o programa nuclear iraniano e o controle do Estreito de Ormuz, seguem em disputa.
Atualmente, forças americanas conduzem seu próprio bloqueio a embarcações que vão ou vêm de portos iranianos. Ainda assim, dados de rastreamento marítimo analisados pela BBC Verify indicam que alguns navios ligados ao Irã conseguiram cruzar a linha de bloqueio.
O vice-presidente do Parlamento iraniano afirmou nesta segunda que as primeiras receitas provenientes de pedágios já foram depositadas no banco central do país.
O governo dos EUA busca pressionar o Irã atingindo dois pilares econômicos: as taxas cobradas pela passagem no estreito e a receita com petróleo. Trump já disse que "não vai permitir que o Irã ganhe dinheiro vendendo petróleo para quem quiser".
O Irã classifica o bloqueio como "pirataria" e afirma que reabrir plenamente o estreito "não é possível" enquanto os EUA mantiverem a operação naval. Washington, por sua vez, diz que continuará interceptando embarcações suspeitas de "fornecer apoio material ao Irã".
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cancelou a viagem de representantes americanos ao Paquistão para negociar o fim da guerra contra o Irã. A expectativa era que os enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner embarcassem neste sábado para Islamabad, capital do Paquistão.
Conforme informado pela Casa Branca na sexta-feira, os dois se reuniriam com autoridades do Irã na cidade.
O ministro do Exterior iraniano, Abbás Araq-chi, já estava no Paquistão desde ontem e, hoje cedo, se reuniu com o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, e outras autoridades que têm mediado as conversas com os Estados Unidos.
Segundo comunicado iraniano divulgado em redes sociais, o ministro apresentou as exigências de Teerã e as reservas com relação às posições de Washington, sem dar mais detalhes. Na sequência, Araq-chi embarcou para continuar a viagem oficial, com paradas previstas em Omã e Rússia.
Trump cita 'confusão tremenda' em regime iraniano
Pouco após a saída do ministro do Paquistão, Donald Trump anunciou pelas redes sociais o cancelamento da viagem dos enviados americanos, culpando a fragmentação do atual regime iraniano.
"Muito tempo gasto com viagens, muito trabalho. Além disso, há uma luta interna e uma confusão tremenda na liderança deles. Ninguém sabe quem está à frente, incluindo eles. Nós temos todas as cartas, eles não têm nenhuma. Se quiserem conversar, só precisam ligar", afirmou o presidente americano.
Assim que chegou a Mascate, em Omã, o ministro iraniano publicou nas redes sociais que as conversas no Paquistão foram proveitosas e que compartilhou a posição sobre uma estrutura viável para o fim permanente da guerra. Sem mencionar a decisão de Trump, Araq-chi afirmou: "resta saber se os EUA estão realmente empenhados na diplomacia".
Impasses e tensão no Estreito de Ormuz
Esta semana, Donald Trump anunciou a extensão por tempo indeterminado do cessar-fogo, o que dá mais tempo para negociar. Mas a saída das autoridades iranianas do Paquistão revela que Teerã não quer dialogar diretamente por enquanto. O cancelamento da viagem dos negociadores americanos é mais um sinal de que um acordo está longe, com vários impasses para resolver.
Um dos pontos de conflito são as ambições nucleares do Irã. Washington quer o fim do programa de enriquecimento de urânio, enquanto Teerã defende esse direito para fins civis.
Outro impasse é a liberação do Estreito de Ormuz, uma das principais vias do comércio global de petróleo. O Irã tem proibido a circulação de navios sem autorização, enquanto os Estados Unidos impuseram um bloqueio contra navios que tentem acessar portos iranianos.
Esta semana, os dois lados interceptaram embarcações para demonstrar força.
Teerã já sinalizou como condições para destravar as negociações: o fim do bloqueio naval americano; o cessar-fogo entre Israel e Hezbofá, no Líbano, que tem sido violado apesar da trégua estendida até meados de maio.
Neste sábado, o exército israelense afirmou que atacou bases de lançamento do grupo extremista em três áreas no sul do Líbano. Segundo os militares, a ação foi uma resposta a foguetes lançados pelo Hezbolá.

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