Investigação da Polícia Federal apura se recursos enviados por Vorcaro a Flávio Bolsonaro abasteceram fundo offshore ligado à produção de filme sobre Jair Bolsonaro e usado por aliados da família nos EUA
Essa empresa tem como sócios Paulo Calixto e o corretor de imóveis Altieris Santana.
No LinkedIn, Santana informa atuar na área imobiliária e ter trabalhado anteriormente em instituições financeiras como Banco Espírito Santo e Banco do Brasil, ambos em Miami.
Calixto é advogado especializado em imigração, com foco em vistos EB-5, modalidade concedida a estrangeiros que realizam investimentos nos Estados Unidos. Formado pela Universidade Mackenzie e com mestrado pela SMU Dedman School of Law, vive há mais de duas décadas no país e é descrito como próximo de Eduardo Bolsonaro.
Uma reportagem da revista Piauí publicada em setembro de 2025 afirmou que Calixto auxiliou Eduardo no processo de obtenção de visto e cedia o escritório para reuniões políticas do ex-deputado.
Na entrevista à GloboNews, Flávio Bolsonaro disse considerar natural que o advogado responsável pelo processo migratório do irmão também seja gestor do fundo ligado ao filme.
Eduardo, por sua vez, afirmou que Calixto possui experiência na administração patrimonial e em fundos de investimento.
A noticias sem censura procurou Paulo Calixto e Altieris Santana, mas não recebeu retorno.
Como funcionam os fundos offshore?
Fundos offshore são estruturas de investimento registradas fora do país de origem do investidor, geralmente em centros financeiros internacionais.
Esses mecanismos ganharam notoriedade após vazamentos internacionais como os Panamá Papers, em 2016, e os Pandora Papers, em 2021, que revelaram o uso de empresas offshore e paraísos fiscais para ocultação patrimonial e dificuldade de rastreamento de recursos.
O auditor fiscal Roberto Alvarez compara esses fundos a um “CNPJ de papel”. Segundo ele, diferentemente das empresas tradicionais, muitas dessas estruturas não exigem a identificação pública dos beneficiários finais.
Alvarez afirma que, em vários casos, os fundos aparecem apenas em nome de administradores ou escritórios de advocacia, dificultando a identificação dos verdadeiros donos dos recursos. Ele destaca ainda que é comum a existência de estruturas em cascata, com fundos controlando outros fundos.
O auditor fiscal Marcelo Lettieri afirma que a fiscalização internacional sobre offshores passou a se fortalecer a partir de 2010, com a criação de mecanismos de troca de informações tributárias entre países.
Entre as medidas estão a lei americana Fatca e o padrão internacional CRS, criado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), ao qual o Brasil aderiu em 2016.
Os Estados Unidos, porém, nunca aderiram ao CRS. Assim, embora instituições estrangeiras sejam obrigadas a informar às autoridades americanas sobre contas de cidadãos dos EUA no exterior, o governo americano não compartilha automaticamente informações sobre estrangeiros que investem em território americano.
Na prática, isso dificulta investigações envolvendo estruturas financeiras registradas no país. Segundo Lettieri, a PF depende de mecanismos de cooperação internacional com órgãos americanos, como o FBI, para obter informações detalhadas.
Para Roberto Alvarez, o volume movimentado na operação envolvendo Vorcaro, Flávio Bolsonaro, Entre Investimentos e o fundo Havengate também desperta atenção.
— Ninguém diz qual é a origem dos recursos até agora. Essa é uma pergunta que precisa ser feita — afirmou.
Ele acrescenta que ainda será necessário verificar se houve recolhimento de tributos relacionados às operações financeiras investigadas.
Eduardo diz que filme sobre Jair Bolsonaro, financiado por Vorcaro, foi barato
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro afirmou que "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, é "barato para os padrões de Hollywood". Em entrevista ao influenciador de direita Paulo Figueiredo, ele justificou os R$ 134 milhões previstos no orçamento da produção.
“É um filme que, para quem não conhece, vai pensar que é super caro. Não. Para os padrões de Hollywood, não. E ainda assim, o que eu sei é que não conseguiu se captar tudo aquilo que o projeto inicialmente previa”, disse Eduardo. “É um filme top de linha. O valor não é exorbitante, é até barato para os padrões de Hollywood”, afirmou.
Destacou ainda a contratação do diretor americano Cyrus Nowrasteh e do ator Jim Caviezel, que interpreta Bolsonaro. “Você não faz um filme de 50 mil dólares com o Jim Caviezel, pelo amor de Deus”, afirmou.
A entrevista foi concedida para rebater as suspeitas levantadas com a revelação de um áudio em que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobra dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, para financiar o filme.
Eduardo negou qualquer contato com o empresário, preso e investigado por fraudes bilionárias no sistema financeiro.
“Se houver conversas minhas com Vorcaro, parem de me seguir”, disse. “Não há qualquer possibilidade. Não participei de nenhum encontro com ele, nem no contexto do filme”, afirmou.
Segundo o site Intercept Brasil, que revelou o áudio, Vorcaro depositou R$ 61 milhões na produção. Ao interromper os pagamentos, passou a ser cobrado por Flávio Bolsonaro.
Se esse valor for confirmado, Dark Horse se tornará o filme mais caro da história do cinema brasileiro. O recente "Ainda Estou Aqui", vencedor do Oscar, custou R$ 45 milhões.
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