Senador pode ver a sua interação com o americano entendida pelos eleitores como algo alinhado a interesses contrários ao Brasil, diz Democracia em Xeque
Um levantamento do Instituto Democracia em Xeque divulgado nesta terça-feira, 2, apontou que a disputa narrativa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) para capitalizar eleitoralmente a polêmica sobre as decisões do presidente dos EUA, Donald Trump, expôs um risco para o bolsonarismo: que a relação de Flávio com o americano seja percebida como um alinhamento a interesses contrários ao Brasil.
“A semana marcou uma tentativa da extrema-direita de retomar a iniciativa política após o desgaste provocado pelo caso Vorcaro (dono do Banco Master), utilizando a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos para recolocar a segurança pública no centro do debate e projetar Flávio Bolsonaro. Em paralelo, a esquerda acumulou ganhos ao liderar a repercussão da aprovação do fim da escala 6×1 e ampliar a visibilidade das entregas sociais do governo Lula, fortalecendo uma narrativa baseada em direitos e resultados concretos da ação governamental. A abertura de novas frentes de pressão comercial dos Estados Unidos contra o Brasil, incluindo tarifas e questionamentos ao Pix, adiciona incerteza a esse cenário. Trata-se de uma disputa ainda em aberto, mas que expõe um risco para o bolsonarismo: a associação com Trump pode passar a ser percebida como alinhamento a interesses externos contrários aos interesses nacionais, especialmente se as medidas produzirem custos concretos para o país“, comenta Letícia Capone, diretora de pesquisa do instituto.
Para chegar a essa conclusão, o Democracia em Xeque fez um levantamento entre os dias 26 de maio e 1º de junho, a partir de uma base de dados que engloba 182.232 publicações feitas nas redes sociais. Os resultados foram apontados a partir dos discursos políticos mais recorrentes, sendo organizados em eixos temáticos em seguida
Segundo o instituto, quatro temas principais estruturaram o debate público no período:
- política nacional;
- política externa;
- economia; e
- corrupção.
Especificamente no segundo tema — focado na repercussão do encontro entre Flávio e Trump nos EUA e do debate sobre a classificação de facções como organizações terroristas –, apesar de a extrema-direita dominar o tópico, com 64% do total das publicações (sendo 19% da esquerda e outros 17% da imprensa), a produção de conteúdo sobre as percepções negativas do relacionamento entre Flávio e Trump se destacaram nos outros espaços, visto que, logo após o encontro, os americanos anunciaram que aplicariam novas tarifas contra o Brasil.
Flávio chegou a tentar melhorar a sua posição no episódio nesta terça, dizendo ser contrário às tarifas, mas o estrago na opinião pública já pode ter sido feito, de modo que a medida tem potencial para se tornar um problema para o bolsonarismo se for percebida como resultado de articulações de seus aliados junto ao governo Trump, gerando prejuízos concretos para exportadores, empresas e trabalhadores brasileiros.
“O custo político dependerá de quem a opinião pública considerar responsável pelos impactos econômicos da decisão”, avalia o instituto.
Flávio vai ao STF após Lula sugerir que traidores merecem ser enforcados
Presidente comparou filhos de Bolsonaro a delator de Tiradentes durante evento em Goiás; senador acusa Lula de ameaça e incitação ao crime
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, informou que irá acionar o STF (Supremo Tribunal Federal) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após o petista insinuar que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) mereciam ser enforcados.
“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele, são vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores. Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merece os traidores?”, questionou o presidente, ao cometer um ato falho, uma vez que Tiradentes é quem morreu enforcado por ser um dos líderes da Inconfidência Mineira.
A declaração foi dada durante um evento realizado no interior de Goiás, nesta terça-feira (2). Lula reclamou da decisão dos Estados Unidos de taxar os produtos brasileiros em até 25%.
A medida foi anunciada pelo governo americano dias após o senador brasileiro ter um encontro com o presidente Donald Trump.
Em nota, Flávio Bolsonaro afirmou que apresentará ainda nesta terça uma denúncia ao STF contra Lula. De acordo com o senador, a fala do presidente configuraria ameaça e incitação ao crime.
“Lula afirmou que o senador deveria ter o mesmo destino que Tiradentes e ser morto por enforcamento. A fala do presidente configura crime de ameaça e de incitação ao crime”, diz a nota divulgada pelo parlamentar.
Até o momento, o Palácio do Planalto não se manifestou sobre a iniciativa anunciada pelo senador.


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