José Guimarães afirmou que família Bolsonaro "virou fardo político para Trump" após declaração de secretário perto da data de eleições americanas
Ministro da Secretaria de Relações Institucionais do governo Lula, José Guimarães (PT) afirmou neste sábado, 31, a família Bolsonaro virou um “fardo político” para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração foi feita pelo petista pelo X, antigo Twitter. “Marco Rubio agora nega que o governo dos EUA tenham ajudado Flávio Bolsonaro a fugir do Brasil. O episódio ganha ainda mais repercussão às vésperas das eleições de meio de mandato, quando os norte-americanos vão às urnas para renovar a Câmara dos Representantes e parte do Senado”, escreveu o ministro.
Ainda na publicação, Guimarães disse que a pergunta que incomoda Donald Trump vem do próprio eleitorado e diz respeito aos motivos que levam seu governo alegar não ter recursos suficientes para garantir saúde à população, mas utiliza sua própria estrutura para acolher uma família estrangeira “cercada de denúncias graves envolvendo corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas”.
“A relação com os Bolsonaro começa a gerar questionamentos dentro dos EUA e se transforma em mais um problema político para Trump”, completou Guimarães, ao endossar as hashtags “DeportTheBolsonaros (deporte os Bolsonaros) e “DeportTheBolsonarosNOW” (deporte os Bolsonaros agora).
Pouco antes de Guimarães fazer essa declaração nas redes sociais, em entrevista a jornalistas, Rubio disse que o governo americano “não participou diretamente” da operação de fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil. O senador deixou o país nesta semana após ser derrotado nas eleições presidenciais. Sua fuga do país aconteceu logo depois do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes (STF), pedir a apreensão de seus passaportes.
“Não estávamos envolvidos em nenhum dos acordos ou preparativos que ele fez para deixar o país. Pelo menos, o governo dos Estados Unidos não participou diretamente de nenhuma das ações realizadas”, declarou o secretário do governo Trump.
A declaração ocorre após reportagens da imprensa americana apontarem que integrantes dos governos de Trump e do presidente argentino Javier Milei teriam colaborado com a saída do senador. O Wall Street Journal informou que Jason Miller, assessor de Comunicação da Casa Branca, ajudou a viabilizar o avião particular que transportou Flávio Bolsonaro e sua família para os Estados Unidos. Um dos principais auxiliares de Javier Milei, presidente da Argentina, também teria participado desta ação.
Por que Flávio prevê queda antecipada de Lula e admite disputar Presidência antes de 2030
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que uma crise econômica no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá provocar uma antecipação da disputa presidencial e abrir caminho para uma nova eleição antes de 2030. A declaração foi feita na sexta-feira (30), durante sua primeira transmissão ao vivo dos Estados Unidos, após deixar o Brasil com a mulher e as duas filhas.
Na avaliação do parlamentar, o agravamento das dificuldades econômicas será o principal fator de desgaste do governo e poderá abreviar a permanência de Lula no Palácio do Planalto. Flávio comparou o cenário que projeta para a atual gestão à crise enfrentada pelo governo Dilma Rousseff (PT) em 2014 e 2015, mas afirmou que a situação poderá ser ainda pior.
“Eu acho que a minha expectativa é que a economia vai ser o principal fator de desgaste do atual governo. O cenário é muito pior do que o da Dilma lá em 2014, 2015”, declarou.
O senador argumentou que Lula enfrentará dificuldades para conciliar as promessas feitas durante a campanha com a situação das contas públicas. Segundo ele, caso o presidente adote as medidas necessárias para cumprir os compromissos anunciados, poderá agravar ainda mais a situação econômica.
“Se ele fizer aquilo que prometeu, o Brasil vai quebrar ainda mais rápido”, afirmou. Flávio disse acreditar que a deterioração econômica poderá derrubar o presidente “muito antes do que muita gente imagina”.
Flávio admite nova candidatura presidencial
Ao abordar seu futuro político, o senador mencionou os quase 60 milhões de votos que recebeu no segundo turno e sinalizou disposição para voltar a disputar a Presidência da República.
“Qualquer coisa que aconteça eu vou estar aqui pronto, inclusive se for preciso para disputar a Presidência da República de novo”, declarou.
“Eu não estou falando de 2030, não. Eu estou falando de antes disso”.
Flávio também defendeu que a oposição concentre sua atuação no Congresso Nacional, especialmente no Senado. Durante a transmissão, anunciou apoio ao senador Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência da Casa e pediu que seus apoiadores pressionem os parlamentares a votar no aliado.
Na avaliação do senador, o comando do Senado seria uma frente importante para conter as iniciativas do governo petista. Ele classificou o Legislativo como a principal trincheira de resistência da oposição.
Senador relata conversa com o pai antes de deixar o país
Durante a transmissão, Flávio também apresentou sua versão sobre as circunstâncias da saída do Brasil. Segundo ele, a decisão foi tomada depois de uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na segunda-feira (26).
O senador relatou que tinha autorização para permanecer por 30 minutos na residência do ex-presidente, na condição de advogado. Ao término do encontro, foi informado de que agentes da Polícia Federal estavam no local para entregar uma intimação relacionada à determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a entrega de seus passaportes e a proibição de deixar o país.
Flávio contou que interpretou a medida como o início de uma perseguição judicial e relatou uma conversa reservada com o pai. Segundo sua versão, Jair Bolsonaro demonstrou preocupação com as consequências da decisão judicial e perguntou se o filho compreendia onde as medidas poderiam chegar.
Depois de voltar para casa, o senador disse que conversou com a mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e decidiu viajar com a família. Ele negou que outras pessoas tenham participado do planejamento.
“A decisão eu tomei junto com a minha esposa, sem que ninguém soubesse, até porque se soubessem, a chance de dar errado seria maior”, afirmou.
O parlamentar rejeitou a interpretação de que tenha abandonado o país e resumiu sua justificativa em uma frase: “Eu não saí do Brasil. Eu saí pelo Brasil”.
Críticas ao STF e promessa de atuação no exterior
Flávio afirmou que pretende continuar exercendo influência sobre a oposição ao governo Lula mesmo estando nos Estados Unidos. Segundo ele, a distância permitirá expressar opiniões que, em sua avaliação, poderiam ser censuradas ou resultar em represálias caso permanecesse no Brasil.
O senador classificou a situação institucional brasileira como um “regime de exceção” e acusou o Judiciário de atuar politicamente. Também afirmou que não teria condições de recorrer às instituições nacionais caso se considerasse vítima de uma injustiça.
Outra crítica foi direcionada às possíveis negociações envolvendo a situação judicial do pai. Flávio afirmou que considera inaceitável utilizar a liberdade de Jair Bolsonaro como instrumento de negociação política. Ao defender sua permanência nos Estados Unidos, o senador sustentou que pretende assumir um papel de liderança na oposição e manter a articulação com aliados no Congresso Nacional.


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